| Em 27/08/2025

Com apoio do Governo do Amazonas, pesquisa analisa óleos essenciais extraídos de plantas como bioinseticidas contra vetores causadores da malária e dengue

(Foto: Acervo do laboratório de Malária e Dengue/ INPA)

Desenvolver produtos formulados a partir de óleos essenciais extraídos de plantas amazônicas do gênero Piper com ação larvicida, antiviral e antiplasmódica na Amazônia, foram os objetivos da pesquisa científica, apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), realizada em colaboração por pesquisadores do Amazonas, do Maranhão e do Paraná.

O estudo “Inovações tecnológicas para monitoramento, controle vetorial e dos agentes etiológicos da malária e dengue na Amazônia” também analisa a eficácia de um bioinseticida à base de Bacillus thuringiensis israelensis (Bti), produzido no Brasil, no controle de larvas de Anopheles darlingi, o principal vetor da malária na Amazônia.

A pesquisa reúne pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Joelma Soares da Silva da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e João Antônio Cyrino Zequi da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e é amparado pela Iniciativa Amazônia +10, Chamada Pública nº 003/2022, em parceria com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisas (Confap).

A coordenadora do projeto no Amazonas, pesquisadora Rosemary A. Roque, do Inpa, revela que o estudo já realizou testes biológicos dos óleos essenciais com resultados inéditos os quais foram publicados em revistas internacionais de elevado impacto científico.

“Até o momento, foram realizados testes que demonstraram atividades biológicas promissoras dos óleos essenciais contra diferentes estágios: ovos, larvas, pupas e adulto, dos vetores da malária Anopheles spp. e do Aedes aegypti”, explicou Rosemary Roque.

Substâncias com potencial inibidor contra o vírus da dengue e Zika, além do agente etiológico da malária, Plasmodium vivax, já foram identificados no decorrer dos estudos, que confirma a baixa toxicidade ambiental e celular das substâncias.

Além do desenvolvimento de produtos inovadores, o projeto promove formação de recursos humanos locais, com a participação de alunos de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Também houve a divulgação científica em escolas e eventos, reforçando a valorização da biodiversidade e do conhecimento tradicional amazônico.

Extração dos óleos essenciais

Para extração dos óleos essenciais e isolamento das substâncias, os pesquisadores usaram da biotecnologia para o controle vetorial e dos agentes etiológicos da malária e dengue. Os óleos essenciais são extraídos das folhas e galhos do gênero Piper, em especial Piper purusanum, Piper alatipetiolatum, Piper brachypetiolatum, Piper tuberculatum, Piper baccans, entre outras, coletados na Reserva Adolpho Duke e no Museu da Amazônia em Manaus, que revelaram uma ação potente contra vetores da malária e da dengue, sem efeitos tóxicos sobre organismos aquáticos não-alvos.

Além disso, realizam a formulação de nanoprodutos, testes de atividade biológica in vitro e in vivo (larvicida, antiviral, antiplasmódica), análises cromatográficas, testes de toxicidade celular/ecotoxicológica em insetos aquáticos não-alvos e aplicações em campo em criadouros naturais dos mosquitos.

(Foto: Acervo do laboratório de Malária e Dengue/ INPA)

Fomento à pesquisa

Para a coordenadora do projeto, o apoio da Fapeam é essencial para a difusão da ciência, principalmente, em relação a infraestrutura de laboratórios e equipamentos de pesquisa na Amazônia.

“O apoio da Fundação foi essencial para a execução do projeto de pesquisa, proporcionando recursos financeiros para pagamento das bolsas, aquisição de equipamentos, materiais de consumo, passagens e diárias para a realização das atividades de campo e laboratório. Além de viabilizar a integração interinstitucional entre Amazonas, Maranhão e Paraná, fortalecendo a pesquisa científica na Amazônia”, comentou a pesquisadora.

Expectivas para o futuro

Segundo ela, a expectativa é de que os produtos desenvolvidos, nanoformulações à base de óleos essenciais de plantas amazônicas e do bioinseticida a base de Bti, sejam incorporados às estratégias de controle vetorial.

A longo prazo, o projeto pretende contribuir para a redução dos casos de malária, dengue, Zika e Chikungunya, e com o fortalecimento das ações de saúde pública, além de atrair parcerias e investimentos em biotecnologia amazônica.

Iniciativa Amazônia +10

A Chamada apoia estudos e o desenvolvimento tecnológico em instituições de ensino e pesquisa e em empresas sobre os problemas atuais da Amazônia, que tenham como foco o estreitamento das interações natureza-sociedade, para o desenvolvimento sustentável e inclusivo da região amazônica.

Na primeira Chamada da Iniciativa Amazônia +10 (nº 003/2022) foram aprovados 39 projetos de pesquisa, desses, 16 contam com projetos de pesquisadores do Amazonas.

Fonte: FAPEAM (Por: Ana Kelly Franco/ Decon Fapeam)

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