| Em 07/05/2025

Pesquisa na Uerj testa efeitos da alimentação com castanha e trans-resveratrol para a saúde cardiovascular

Castanha-do-pará e frutas vermelhas, que contêm trans-resveratrol: alimentos funcionais possuem propriedades antioxidantes e ajudam a melhorar a microcirculação. (Fotos: divulgação)

A obesidade é uma das doenças crônicas que mais afeta a saúde pública, em diversos países. Cerca de 650 milhões de pessoas no mundo estão obesas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), e 56% dos adultos brasileiros têm obesidade ou sobrepeso (34% com obesidade e 22% com sobrepeso), segundo dados de 2024 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de Brasília. Testando o poder dos alimentos funcionais no combate à obesidade, uma pesquisa desenvolvida na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) investiga os efeitos da suplementação alimentar com castanha-do-pará e trans-resveratrol – substância encontrada naturalmente nas uvas e frutas vermelhas – sobre a microcirculação e o sistema cardiovascular.

O objetivo do estudo, que teve início em setembro de 2024, no Laboratório de Pesquisas Clínicas e Experimentais em Biologia Vascular (Biovasc/Uerj), é analisar os efeitos da ingestão diária combinada do trans-resveratrol, em formato de cápsulas (600 mg por dia), com quatro castanhas-do-pará. “Estamos testando essa suplementação alimentar, por quatro semanas, em grupos de homens e mulheres jovens adultos, entre 18 e 35 anos, com e sem obesidade. Estamos avaliando as melhorias na microcirculação, no perfil lipídico e no estresse oxidativo desses pacientes, e na condição que gera o desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a capacidade de defesa do organismo”, resumiu o coordenador da pesquisa, Daniel Alexandre Bottino. Médico com Pós-Doutorado em Microcirculação pela Uerj, ele é professor na universidade e recebe apoio da FAPERJ, por meio do programa Cientista do Nosso Estado.

Bottino destaca que, na literatura médica, sabe-se que o trans-resveratrol e a castanha-do-pará possuem propriedades antioxidantes. Ele agora testa clinicamente de que forma eles podem melhorar o perfil da circulação sanguínea em vasos de menores diâmetros e promover melhorias no sistema cardiovascular de pessoas com obesidade, o que ainda não foi feito. “Não temos na literatura médica estudos sobre os efeitos do consumo associado de trans-resveratrol com castanha, voltados para a microcirculação. Sabemos que a obesidade está acompanhada geralmente por um quadro de inflamação no corpo, que se desencadeia no tecido adiposo, gerando radicais livres e favorecendo o surgimento de quadros de resistência à insulina e de doenças cardiovasculares, como infarto, hipertensão arterial, diabetes mellitus e outras doenças metabólicas. Ela prejudica a função endotelial, isto é, a capacidade de regular a circulação sanguínea e o tônus vascular”, explicou.

Daniel Bottino, à dir., e David William realizam exame de pletismografia de oclusão venosa no Fisclinex, na Uerj: teste avalia a capacidade de dilatação dos vasos sanguíneos nos pacientes submetidos à alimentação especial com castanha e trans-resveratrol (Foto: Divulgação/Uerj)

Os resultados preliminares da pesquisa indicam melhoria na microcirculação e o aumento do HDL, o colesterol bom, nos pacientes voluntários avaliados. “Por enquanto, foram avaliadas 12 pessoas, todas com a condição de não terem outra doença além da obesidade e de serem sedentárias. Verificamos respostas mais rápidas na vasoreatividade, isto é, na capacidade de dilatação dos microvasos, com auxílio da videocapilaroscopia do leito periungueal, um exame não invasivo que analisa a microcirculação dos vasos sanguíneos que rodeiam as cutículas dos dedos das mãos. Também utilizamos outra técnica, a pletismografia de oclusão venosa, para avaliar o fluxo sanguíneo do braço e a capacidade de dilatação do vaso sanguíneo”, detalhou. 

Bottino dará continuidade aos testes clínicos ao longo do ano. “Serão avaliados quatro grupos com 25 sujeitos da pesquisa cada. No grupo 1, teremos pacientes mulheres eutróficas, ou seja, dentro do peso ideal; no grupo 2, eutrófico masculino; no grupo 3, pacientes mulheres com sobrepeso/obesidade e Índice de Massa Corporal (IMC) até 39,9; e o grupo 4, masculino, com sobrepeso/obesidade e IMC até 39,9”, contou.

O pesquisador espera que os testes abram caminhos para o desenvolvimento de tratamentos complementares para a obesidade, a partir da ingestão diária desses suplementos alimentares naturais. “A associação do trans-resveratrol com a castanha-do-pará, agente tipicamente antioxidante, poderá potencializar suas ações protetivas cardiovasculares. A dieta com esses suplementos deve estar associada a uma rotina de reeducação alimentar e exercícios, para retardar o processo da formação de aterosclerose, as placas de gordura nos vasos sanguíneos”, concluiu.

Fonte: FAPERJ (Por: Débora Motta/ Ascom Faperj)

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