| Em 09/05/2025

Pesquisadores em MT desenvolvem novo detector de anticorpos contra vírus da encefalite de Saint Louis na Amazônia

Clonagem e expressão da proteína NS1 – (Foto por: Arquivo/Pesquisadora)

Pesquisadores de Mato Grosso estão desenvolvendo um ensaio imunoenzimático (ELISA), para a detecção de anticorpos contra o vírus da encefalite de “Saint Louis” (SLEV), uma doença ainda pouco diagnosticada no Brasil, mas que apresenta potencial de impacto significativo na saúde pública. O arbovírus é transmitido por mosquitos do gênero Culex e pode atingir o sistema nervoso central, causando inflamação no cérebro. Os principais sintomas são a febre, dor de cabeça, rigidez no pescoço, estupor, desorientação, coma, tremores, convulsões ocasionais e paralisia espástica.

Estudos estimam que aproximadamente 500 espécies de arbovírus identificados no mundo, cerca de 200 já tenham sido encontrados no bioma Amazônia e desses, pelo menos 40 podem causar doenças em humanos.

Nesse cenário, uma pesquisa desenvolvida no Laboratório de Imunologia e Biologia Molecular (LIBM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Sinop/MT, está desenvolvendo um método inovador para melhorar a detecção de SLEV no Sistema Único de Saúde (SUS).  O projeto é coordenado  pela doutoranda em Biotecnologia e Biodiversidade Ana Lucia Scarpin Ramos, e fomentada pela Governo do Estado, através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), dentro do Edital nº 004/2023-Doutorado com Produto Tecnológico.

A metodologia envolve a clonagem e expressão da proteína NS1 recombinante do vírus, utilizado como antígeno em testes de ELISA para detecção de anticorpos IgG e IgM. O processo segue rigorosos protocolos. O RNA viral é extraído, amplificado por RT-PCR, e a proteína NS1 é clonada e expressa em células de Escherichia coli. Após a purificação, a proteína recombinante é empregada em testes laboratoriais para determinar sua eficácia na detecção de infecções por SLEV.

(Foto por: Arquivo/Pesquisadora)

“Esses processos serão posteriormente validados com amostras humanas previamente processadas, garantindo alta sensibilidade e especifidade. Os resultados esperados desse estudo vão além do laboratório. Um teste diagnóstico eficaz e acessível, como o proposto, pode transformar a forma como as arboviroses são monitoradas e tratadas no Brasil”, afirmou a pesquisadora.

A equipe de pesquisadores do Laboratório de Imunologia realizam há mais de dez anos a vigilância humana e ambiental no município de Sinop e região. “Realizamos testes com amostras coletadas da população nos laboratórios municipais e parceiros, onde conseguimos monitorar o tipo de arbovirose em circulação,  aumentando o controle e um melhor atendimento clínico a população, porque os sintomas das arboviroses  são semelhantes”, afirmou Ana Scarpim

O teste de ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay), é uma técnica de imunoensaio que detecta e quantifica antígenos ou anticorpos usando uma enzima ligada a um anticorpo. Quando essa enzima entra em contato com um substrato específico, ocorre uma reação colorida que pode ser medida, geralmente usa-se um leitor de microplacas.

De acordo com a pesquisadora, “ao final da pesquisa, o novo teste será incorporado à rotina de laboratórios públicos se tornando uma ferramenta valiosa. A detecção precoce, o diagnóstico mais rápido e preciso pode evitar subnotificações e minimizar confusões com outras arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. Com um diagnóstico confiável, os profissionais de saúde poderão tomar decisões mais assertivas no manejo dos pacientes, reduzindo complicações e melhorando os desfechos clínicos, contribuindo para o mapeamento da prevalência e incidência do SLEV, além de fornecer dados valiosos para a formulação de políticas públicas e estratégias de controle”.

Fonte: FAPEMAT (Por: Widson Ovando/ Fapemat)

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