| Em 27/01/2025

Pesquisadores buscam alternativas para impulsionar a competitividade e o desenvolvimento sustentável no Estado da Paraíba

Biodigestor (Foto: Divulgação)

A Economia Circular tem sido pauta nacional e internacional. Mas como implementar sistemas de produção circulares na prática no contexto paraibano? Para impulsionar a competitividade e sustentabilidade visando a transição circular, um grupo de professores do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas (PPGEPS/UFPB), coordenado pela professora Cláudia Fabiana Gohr, reuniu suas competências para desenvolver soluções de cunho estratégico e gerencial para acelerar a implementação de princípios de Economia Circular nos sistemas produtivos do Estado da Paraíba. Este projeto de pesquisa investiga práticas de Economia Circular na indústria e na agricultura do Estado da Paraíba.

A Economia Circular tem sido apontada como uma abordagem efetiva para viabilizar e acelerar a transição do modelo econômico tradicional para o desenvolvimento sustentável. Considerando ciclos biológicos e técnicos, enfatiza a importância de se fechar ciclos (remanufatura e reciclagem), desacelerar ciclos (reuso e intensificação de uso de produtos), e reduzir recursos em materiais e energia. Diante da pressão exercida pelas nações desenvolvidas para que seus parceiros comerciais adotem formas de produção e consumo sustentáveis a incorporação dos princípios de Economia Circular vem deixando de ser uma opção para os sistemas produtivos para tornar-se uma solução necessária.

Em um futuro próximo, o desenvolvimento de sistemas de produção circulares passará a ser uma questão de sobrevivência para as organizações, determinando a manutenção da competividade em diversos setores. Alinhado a este conceito, o PPGEPS da UFPB vem estudando formas de conciliar a produtividade com a sustentabilidade nos sistemas de produção. De acordo com a pesquisadora Cláudia Fabiana Gohr, profª Dra. do PPGEPS/UFPB, pensando estrategicamente, a transição para um sistema de produção circular não se resume apenas à mudança de concepção em relação à maneira de produzir bens e serviços. “É necessária uma nova visão do modelo de negócios, no qual a conservação dos recursos naturais passe a ser uma fonte de competitividade, e não um entrave ao desenvolvimento. Partindo de um novo modelo de negócios, é necessário buscar modelos de produção que incorporem a lógica da Economia Circular”.

A Paraíba já vem implementando soluções alinhadas à Economia Circular, mas ainda há oportunidade de alavancar essas iniciativas pontuais de forma estratégica, visando sistemas de produção e cadeias de suprimentos circulares, mas também resilientes e socialmente inclusivas. Assim, o projeto trabalha na integração de três dimensões: visão estratégica, modelos de produção e cadeias de suprimentos.

Na dimensão estratégica foram identificadas capacidades habilitadoras que auxiliam as empresas a superar barreiras e facilitar na transição circular. Nesta dimensão, também foi verificado que empresas inseridas em Arranjos Produtivos Locais (APLs) possuem atributos que facilitam a transição circular, em especial a partir da adoção de práticas de simbiose industrial. Esses resultados fornecem diretrizes para gestores e formuladores de políticas sobre como promover a economia circular a partir dos atributos dos APLs (ações coletivas, compartilhamento de informações e conhecimentos, coordenação, etc.). A perspectiva estratégica do projeto também evidencia a importância de se compreender as relações das organizações produtivas com seus diversos stakeholders (partes interessadas). Ao explicitar a troca de valor da empresa com seus clientes,  fornecedores, trabalhadores, sociedade, governo, competidores, e meio ambiente natural, as empresas podem impulsionar a sinergia entre competitividade e circularidade.

A dimensão modelos de produção vem mostrando o papel crucial das tecnologias da Indústria 4.0 (I4.0) para alavancar a Economia Circular. Um dos resultados dessa dimensão foi o desenvolvimento de uma ferramenta de avaliação para verificar como a integração entre a I4.0 e a economia circular influencia no desempenho organizacional. Tal ferramenta pode auxiliar gestores e tomadores de decisão em relação ao desenvolvimento de modelos de negócios circulares e sustentáveis que trazem impactos positivos no desempenho da empresa, seja sob a perspectiva ambiental, social ou operacional. Ainda nesta mesma dimensão, foram investigados os agroecossistemas familiares paraibanos, com base em experiências de comunidades que já demonstram boas práticas de Economia Circular e desenvolvimento local sustentável. Dessa forma, foram identificadas e avaliadas as práticas da Economia Circular adotadas nos agrossistemas com base agroecológica do Território da Borborema-PB.

Os resultados poderão contribuir para a formulação de políticas públicas que propiciem as condições adequadas para o desenvolvimento local sustentável, bem como na disseminação dessas práticas entre os agrossistemas. Esta etapa da pesquisa teve o apoio da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, associação sem fins lucrativos que atua para o fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável no Brasil, com sede no município de Esperança-PB.

Por fim, a dimensão “cadeias de suprimentos” completa o estudo. Nesta dimensão estão sendo abordados riscos que as cadeias de suprimentos circulares estão sujeitas, de modo que a identificação e a mensuração dos mesmos possam contribuir para a resiliência das cadeias de empresas paraibanas.

O projeto conta com investimento do Governo da Paraíba, por meio de edital Universal da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq) com apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties) e envolve, além da professora Cláudia Fabiana Gohr (cordenadora), os professores Luciano Costa Santos, Maria Christine Werba Saldanha, Sandra Naomi Morioka, Ivan Bolis,  Maria Silene Alexandre Leite , estudantes de graduação em engenharia de produção (por meio de projetos de pesquisa  – PIBIC, e extensão – PROBEX), alunos de mestrado em engenharia de produção e de doutorado em administração.

Fonte: FAPESQ (Por: Ascom Fapesq)

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