| Em 04/04/2024

Uma armadilha para combater o mosquito da dengue

Adriano Rodrigues de Paula: de acordo com o pesquisador, residências que receberam armadilhas com fungo tiveram redução de mais de 80% do número de ovos de mosquitos do gênero Aedes (Foto: Divulgação)

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma ferramenta simples e de baixo custo para o controle de Aedes aegypti e de pernilongos. Batizada de MataAedes, a armadilha é biodegradável e, diferente dos inseticidas sintéticos, não é tóxica nem para o meio ambiente, nem para seres humanos e muito menos para os animais. Desenvolvida à base de um fungo, chamado Metarhizium anisopliae, atrai e mata mosquitos em até 48 horas.

O fungo libera um odor que é imperceptível para seres humanos, mas atrativo para mosquitos adultos. A armadilha tem formato triangular semelhante a um calendário de mesa e, em seu interior escuro, está o fungo. Os mosquitos são atraídos para o interior da armadilha e encostam no fungo, que adere ao corpo dos mosquitos por forças eletrostáticas, penetra e, no interior dos insetos, se desenvolve, liberando as toxinas que provocam o adoecimento e, consequentemente, causando a morte dos insetos em um curto tempo.

Antes de morrer, os mosquitos ficam doentes e picam menos as pessoas, parando de se alimentar de sangue, diminuem a produção de ovos e reduzem a transmissão de arbovírus que causam doenças como a dengue, zika e chikungunya.

Foram mais de 10 anos de pesquisa junto ao grupo de Patologia de Insetos, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), desenvolvendo armadilhas impregnadas com diversos fungos e inovações de baixo custo. A pesquisa contou ainda com apoio da incubadora de empresas TEC Campos para a idealização do protótipo ideal pela startup Mosquitec Controle de Mosquitos. Com o suporte financeiro do Edital Doutor Empreendedor, da FAPERJ, a equipe conseguiu criar o aparato que não precisa de energia elétrica. Com os recursos do projeto, também realizaram testes de monitoramento e controle biológico em residências, comércio e espaços públicos nos municípios de Campos dos Goytacazes e Barra de São João, no noroeste fluminense.

O pesquisador Adriano Rodrigues de Paula explica que foram necessários inúmeros testes até o desenvolvimento da armadilha MataAedes e formulação do fungo atual. “Entre os anos de 2008 a 2021, nosso grupo fez diversos experimentos com os fungos Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana. Percebemos que eram eficientes para infectar e matar diferentes fases dos mosquitos como larvas e adultos. Depois, testamos vários tipos de armadilhas. Desenvolvemos, incialmente, protótipos em garrafas PET. Os resultados foram animadores. Residências que receberam armadilhas com fungo tiveram redução de mais de 80% do número de ovos de mosquitos do gênero Aedes, comparado com casas controle, que receberam armadilhas sem o fungo”, diz.

De acordo com Adriano, participaram dos estudos moradores de mais de 200 residências dos dois municípios e, em uma pesquisa de satisfação, mais de 90% das pessoas que utilizaram a armadilha relataram que sentiram diminuição dos incômodos provocados pelos insetos. Segundo ele, a armadilha MataAedes é um produto inovador. “Não existe no Brasil um produto que utiliza fungo para controlar mosquitos adultos no ambiente intradomiciliar. A armadilha é mais uma ferramenta para ser utilizada no controle de mosquitos adultos do gênero Aedes e pernilongo comum, do gênero Culex“, explica.

A armadilha MataAedes tem outras vantagens se comparada a produtos disponíveis no mercado. A armadilha colocada em cima de um móvel já funciona para matar os mosquitos nas residências. Não precisa ser pulverizada nos cômodos como os inseticidas de aerossol, não tem cheiro desagradável e nem precisa ser reaplicado a cada duas ou três horas. Ele ainda aponta outras vantagens: diferentemente dos inseticidas do tipo barra, a MataAedes não necessita de um aparelho elétrico ligado a uma fonte de energia para esquentar e dispersar o produto no ambiente. Em relação aos inseticidas do tipo espiral, comenta que também não necessita de ser aceso com fogo para queimar e liberar o produto no ambiente. Ele ainda destaca que, além da dificuldade de utilização, esses compostos disponíveis no mercado são tóxicos e não devem ser usados de forma rotineira.

Adriano faz um alerta sobre a importância de outros métodos de controle de vetores para utilização em conjunto com a MataAedes e a efetiva diminuição dos vetores dos ambientes extra e intradomiciliar. Ele cita o controle físico, que é a eliminação de criadouros desses insetos assim como a colocação de telas em janelas.

Segundo Adriano há ainda um outro potencial da pesquisa. O fungo Metarhizium anisopliae pode ser utilizado para controle de outros insetos. “O fungo Metarhizium anisopliae é um agente de controle biológico eficaz contra pragas agrícolas e outros insetos vetores de doenças como os mosquitos do gênero Anopheles, vetores da malária; percevejos Rhodnius prolixus transmissores da doença Chagas e Culicoides paraenses, vetor de Oroupouche”, lista.

Atualmente, a armadilha está em fase de registro em órgãos competentes. Mais informações no site: www.mataaedes.com.br

Fonte: FAPERJ (Por: Claudia Jurberg/ Ascom Faperj)

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