| Em 02/02/2015

Pesquisa conjunta sobre qualidade da água na Lagoa do Peri será financiada pelo Fundo Newton

Uma alga produtora de toxinas encontrada em vários lagos de água doce, incluindo a Lagoa do Peri, em Florianópolis, é objeto de estudo de pesquisadores do Limnos (Laboratório de Ecologia de Águas Continentais), da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). A pesquisa, coordenada no Brasil por Mauricio Petrucio, foi uma das 71 escolhidas para receber recursos do Fundo Newton por até um ano, entre 318 propostas submetidas. A FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) é a parceira do Fundo Newton no estado e dará contrapartida aos quatro pesquisadores catarinenses selecionados.

Encontrada em grandes quantidades em ambientes aquáticos poluídos e com água de baixa qualidade, a Cylindrospermopsis raciborskii é uma cianobactéria que pode produzir toxinas. Sua presença e densidade na Lagoa do Peri, que possui água limpa e potável, causam estranheza aos pesquisadores. No entanto, Petrucio afirma que até agora não foram encontradas quantidades de toxinas que sejam prejudiciais à saúde humana.

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Lagoa do Peri, em Florianópolis (foto: Jefferson Felix)

Desde 2007 é realizado o monitoramento mensal da qualidade da água da Lagoa do Peri, que reúne informações como temperatura, oxigênio, pH e nutrientes. Além desses dados, foram obtidas informações sobre a estrutura da comunidade aquática da lagoa (algas, invertebrados e peixes). Em 2014, com recursos do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), os pesquisadores iniciaram um monitoramento de alta frequência, coletando dados a cada 15 minutos. Com o auxílio do Fundo Newton também serão observadas a vazão e a qualidade da água dos principais rios que abastecem a lagoa, para calcular o balanço hídrico da bacia hidrográfica e estudar mais a fundo as espécies. Dessa forma será estabelecida a relação entre a biodiversidade e a qualidade da água.

Os dados obtidos na Lagoa do Peri serão comparados com a biodiversidade presente em outros lagos de água doce da Europa, principalmente da Inglaterra, em parceria com pesquisadores da Universidade de Roehampton. O objetivo é obter indicadores biológicos (bioindicadores de qualidade da água), como a concentração de nutrientes, a estrutura das comunidades aquáticas e a presença da cianobactéria ao longo do tempo. O banco de dados poderá ajudar a entender o funcionamento de lagos e os efeitos de alterações no clima sobre a qualidade da água.

De acordo com artigos sobre o tema, em lagos de zonas de clima temperado os estudos são bastante avançados em relação à capacidade de manutenção do ecossistema de água doce (serviço ecológico). Também são conhecidas sua reação ao aumento de nutrientes, as consequências do aumento de nutrientes e da proliferação das algas, as características dos organismos e sua interação com o ambiente, enquanto em regiões de clima tropical ou subtropical as pesquisas são limitadas. “Nós não sabemos se as reações da comunidade aquática e os mecanismos biológicos subjacentes, em ambas as áreas, são similares ou diferentes. Estas informações certamente ajudarão a criar estratégias para a conservação e recuperação de ambientes aquáticos”, explica Petrucio.

Participarão deste estudo seis pesquisadores, sendo três britânicos e três brasileiros, além dos estudantes de graduação e pós-graduação. Um deles, Enrico Resende, da Universidade de Roehampton, foi bolsista de pós-doutorado em Ecologia na UFSC. “Quando abriu este edital fizemos o contato e construímos a proposta visando trocar experiências e ampliar as temáticas que cada professor desenvolve, em conjunto e com uma visão mais ampla da ecologia e funcionamento de ambientes aquáticos”, relata o coordenador brasileiro.

Fonte: Jéssica Trombini – FAPESC

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