| Em 30/01/2023

Estudo apoiado pelo Governo do Amazonas pretende criar guia digital para melhorar aprendizado sobre fauna de borboletas

(Foto: Acervo do coordenador da pesquisa, Fabricio Beggiato Baccaro)

As borboletas são importantes para manter o equilíbrio da natureza nas suas variadas espécies, tamanhos, cores e formas. Sabendo dessa importância e buscando entender ainda mais sobre elas, a pesquisa “Guias de borboletas frugívoras do Amazonas: informações para uso técnico, científico e social”, apoiada pelo Governo do Estado do Amazonas, trabalha na produção de um guia digital especificamente para a espécie.

O estudo recebe fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), via Programa Biodiversa – Edital 007/2021 e busca criar guias ilustrativos (com fotografias das espécies identificadas) específico para cada Unidade de Conservação (UC) participante do Programa Monitora (ICMBio) situada no Estado do Amazonas.

A ideia do projeto de pesquisa é aumentar a eficiência e refinamento do sistema de monitoramento das borboletas frugívoras (espécies que se alimentam de frutas), além de capacitar técnicos e moradores locais tanto para o trabalho de monitoramento, quanto para o ecoturismo no Estado. Atualmente, o guia base que os monitores locais levam para o campo possui somente algumas fotos de borboletas identificadas, até tribo (nível de identificação mais amplo), que é usado pelo Programa Monitora do ICMBio.

De acordo com o coordenador da pesquisa, biólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), doutor Fabricio Beggiato Baccaro, o guia de campo específico vai considerar a singularidade de cada UC e a alta heterogeneidade ambiental resultado da grande extensão do estado do Amazonas, além disso, os guias de borboletas serão preparados usando linguagem acessível para o público leigo, trazendo também informações de qualidade sobre história natural das espécies e informações sobre a importância das borboletas para os ecossistemas.

“Dessa forma, os guias de borboletas poderão ser usados pelos gestores das unidades, por professores e alunos, pesquisadores bem como por técnicos e guias turísticos”, completou Fabrício.

Mais de 2 mil borboletas, das seis Unidades de Conservação do estado, já estão sendo identificadas, montadas e fotografadas simultaneamente. Após a identificação prévia, a equipe prepara a montagem e seleciona os exemplares em bom estado para serem colocados em câmaras úmidas.

“As borboletas saem do freezer rígidas, mas após dois ou três dias na câmara úmida suas asas amoleçam e, assim, podemos montá-las. Cada indivíduo tem seu número de identificação para rastrear sua origem. Com os indivíduos montados é possível fazer a identificação precisa e escolher as melhores fotos para que sejam usadas nos guias”, completou Isabela Freitas Oliveira, bióloga integrante do projeto.

Acesso 

(Foto: Acervo –  Fabricio Beggiato Baccaro)

Todas as pessoas terão acesso aos guias, seja pelo computador ou celular. Será possível consultá-los mesmo em locais sem sinal de internet, basta baixar o documento.

O pesquisador ressalta que os guias podem contribuir para uma maior sensibilização da população em relação às UCs e sua importância para a conservação do ecossistema, atraindo novas pessoas interessadas, estimulando uma rede colaborativa social-técnico-científico, para a conservação da biodiversidade.

“O Amazonas conta com um crescente interesse no ecoturismo, e os guias produzidos neste projeto poderão ser utilizados como um atrativo para que os turistas visitem a região, contribuindo para a renda de guias locais”, frisou Isabela.

Unidades de Conservação 

Os guias e folders digitais inéditos de borboletas frugívoras serão produzidos para seis UCs do Amazonas: Parques Nacional Jaú (cobre os municípios de Novo Airão e Barcelos), Mapinguari (situado nos municípios de Lábrea e Canutama), Campos Amazônicos (Novo Aripuanã e Manicoré), Nascentes do Lago Jari (Tapauá), Reserva Extrativista Arapixi (Boca do Acre) e Reserva Biológica Uatumã (sede em Presidente Figueiredo, mas também está nos municípios de São Sebastião do Uatumã e Urucará). Com exceção das coletas, todo o trabalho está sendo realizado no Laboratório de Ecologia de Comunidades, na Ufam, em Manaus.

“Esses guias e folders levarão em conta a singularidade de cada UC e a heterogeneidade existente no bioma Amazônico”, acrescentou o pesquisador.

Monitoramento 

O Programa de Monitoramento in situ da Biodiversidade –, instituído pela Instrução Normativa ICMBio em março de 2017, integra as iniciativas na área de conservação da biodiversidade desenvolvidas no país, além disso, um dos pontos principais do Programa é o treinamento e a utilização de monitores locais (ribeirinhos e povos tradicionais) para a coleta de dados. Esta participação é fundamental para que o conhecimento da biodiversidade alcance espaços sociais, técnicos e científicos.

Programa Biodiversa 

O Programa Biodversa, da Fapeam,  tem como objetivo apoiar propostas de pesquisa científica, tecnológica e/ou de inovação, ou de transferência tecnológica, coordenadas por pesquisadores residentes no Amazonas, vinculados às instituições de pesquisa ou ensino superior ou centros de pesquisa de natureza pública ou privada sem fins lucrativos, voltadas para caracterização, conservação, restauração, uso sustentável do meio ambiente e exploração sustentável da diversidade amazônica, com vistas à produção de conhecimentos que contribuam para o enfrentamento dos problemas ambientais amazônicos e subsidiem a formulação de políticas públicas de conservação ambiental no Amazonas.

 

Fonte: FAPEAM (Por:Valdete Araújo-Decon/Fapeam)

 

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