| Em 12/01/2023

Fapeal chama atenção para a campanha Janeiro Branco

(Foto: Kelvin Valerio/Pexels)

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde mental é uma condição de bem-estar no qual a pessoa é capaz de usar suas próprias habilidades, lidar com o estresse cotidiano, ser produtivo e contribuir com
a sua comunidade.

Quem explica é o professor Jorge Artur Coelho, doutor em Psicologia, docente e pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Famed Ufal). A convite da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapeal), ele explica a importância da Campanha Janeiro Branco, que, desde 2014, busca pautar o tema nos mais diversos espaços de comunicação e convivência da sociedade brasileira, para além dos clichês, estigmas e desinformações que rodeiam o tema saúde mental.

Frequentemente, no Brasil, a maioria das pessoas só busca apoio para essa área das suas vidas quando já estão em situação de adoecimento. No entanto, é importante que se eduque para ações preventivas. É aqui que entra o tema
“autocuidado”.

“Comportamentos de autocuidado são frequentemente recomendados em contextos estressantes para manter a saúde e o bem-estar”, explica o doutor Jorge Coelho: “Enquanto os comportamentos tradicionais de saúde estão associados à saúde física e à prevenção de doenças, os comportamentos de autocuidado se concentram mais na promoção da saúde mental”, observa.

De acordo com o profissional, hábitos como se ter um hobby, relaxar e possuir a interação social através das “redes de apoio” podem fazer a diferença. “Alguns comportamentos tradicionais de saúde se enquadram nesse guarda-chuva, como alimentação saudável e prática de exercício físico, devido aos seus conhecidos benefícios para saúde mental”, complementa.

No entanto, fica o alerta: “Como em quase tudo na vida, o autocuidado requer a orientação de profissionais de saúde mental. Portanto, o uso popularizado do termo autocuidado via redes sociais e a qualidade de informações divulgadas podem levar aos riscos da automedicação, por analogia”, alerta o pesquisador, que já foi consultor da Unesco e atualmente participa de um projeto internacional para a promoção da saúde mental de crianças e adolescentes, com apoio do Governo de Alagoas, através da Fapeal, em parceria também com a Fap do Mato Grosso do Sul (Fundect).

(Foto: Cottonbro Studio/Pexels)

Janeiro Branco

O Janeiro Branco é uma campanha significativa devido à realidade na qual se insere: De 10% até 20% das crianças e adolescentes no mundo sofrem de alguma condição classificável como problema mental. De acordo com a Unicef,
a perda anual de capital humano causada por condições de saúde mental em crianças e adolescentes é de 387,2 bilhões de dólares (ajustado pela paridade do poder de compra). Sendo $340,2 bilhões com transtornos que
incluem ansiedade e depressão e $47 bilhões com suicídios.

Dr. Jorge Artur Coelho. (Foto: acervo pessoal)

“A saúde mental é amplamente estigmatizada e incompreendida; estigma, intencional ou não, impede que crianças e jovens procurem tratamento e limita suas oportunidades de crescer, aprender e prosperar. Os transtornos mentais são uma causa significativa e ignorada de sofrimento que interfere na saúde e na educação e em sua capacidade de atingir todo o seu potencial”, pontua o cientista. “Por isso a campanha Janeiro Branco tem uma grande importância para chamar atenção do público em geral e dos governos”.

Para o pesquisador, ainda não estamos em uma situação de informação disponível e conscientização suficientes, principalmente no que diz respeito a pessoas de baixa renda.

Em relação a pais e responsáveis, ele sugere ações nas redes públicas de saúde como: Desenvolver sistema de rastreio de problemas de saúde mental em crianças e adolescentes nas escolas; identificar, avaliar evidências e implementar intervenções para prevenir e tratar problemas de saúde mental de crianças e adolescentes;  fortalecer a conscientização de que o estigma continua sendo uma força poderosa e uma barreira para que crianças e jovens procurem tratamento; apoiar os cuidadores desenvolver programas parentais, que podem incluir informações, orientação e apoio financeiro e psicossocial.

 

Fonte: FAPEAL (por Naísia Xavier/Ascom Fapeal)

 

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