| Em 20/12/2022

Centro Nacional de Vacinas MCTI será hub de inovação para produção de lotes-piloto de imunizantes no Brasil

Construção de infraestrutura brasileira, localizada em Belo Horizonte (MG), receberá investimento de R$80 milhões (Foto: Raphaella Dias/UFMG)

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizaram cerimônia, nesta segunda-feira (19), no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), para marcar o início das obras do Centro Nacional de Vacinas MCTI (CNVacinas MCTI). A obra receberá investimento de R$80 milhões. Serão R$50 milhões de recursos federais, provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e R$30 milhões do governo de Minas Gerais.

A estrutura é resultado do acordo firmado em 2021 entre UFMG e o MCTI para transformar o Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) no Centro Nacional de Vacinas MCTI.

“O Centro Nacional Vacinas faz parte de uma estratégia do MCTI para trazer à tona a nova perspectiva de independência do Brasil em relação aos insumos farmacêutico ativos”, afirmou o secretário de Pesquisa e Formação Científica do MCTI, Marcelo Morales.

O projeto atende a uma demanda brasileira para estabelecer um ecossistema que contemple o regulatório sanitário, com rastreabilidade. Ao longo das ações de combate à pandemia, o MCTI identificou, como ‘gargalo’ para a pesquisa, desenvolvimento e inovação, a ausência no Brasil de plantas capazes de produzir lotes-piloto de Insumos Farmacêutico Ativo (IFAs) em condições de Boas Práticas de Fabricação e de realizar o posterior envase de formulações vacinais experimentais. Esses são aspectos que precisam ser atendidos para cumprir exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação a ensaios clínicos em seres humanos.

“Vamos fechar essa lacuna e fazer a produção de lotes-piloto para todas as vacinas, como dengue, febre amarela, entre outras, como o que estamos fazendo para a vacina contra monkeypox. E depois entregamos para as empresas, como Bio-maguinhos e Butantan, para efetuar o escalonamento”, explicou Morales.

“Será mais um polo de pesquisa no Brasil em produção de vacinas e isso nos ajuda no sentido de precisamos nos tornar autossustentáveis. É um momento importante, não apenas sobre as doenças que estão aí, mas também em relação ao que pode vir no futuro”, afirmou a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida. “É uma enorme satisfação atuar no sentido de garantia melhor condição de vida para a população, contribuir para a política de saúde pública e tornando o País mais sustentável e soberano na produção de vacinas”, complementou.

A missão do CNVacinas MCTI será acelerar o desenvolvimento de vacinas, imunobiológicos e testes de diagnóstico para doenças humanas e veterinárias dentro do conceito One Health (Saúde Única), contribuindo assim para o Sistema Único de Saúde e desenvolvimento socioeconômico do País.

O Centro Nacional de Vacinas MCTI terá como escopo o desenvolvimento de novos imunizantes, incluindo plataformas vacinais, e também kits diagnósticos e fármacos, em boas práticas de laboratório e fabricação desde o princípio do processo de pesquisa. Pesquisadores que trabalham com o desenvolvimento de imunizantes em todo o território nacional poderão utilizar a estrutura. O espaço também será um elo entre o ambiente acadêmico e o mercado, servindo de catalisador do processo de inovação e transferência de tecnologias para empresas e instituições. Será, ainda, uma plataforma para o surgimento de spin-offs que desejem comercializar os produtos desenvolvidos.

Além disso, o CNVacinas MCTI empreenderá esforços para apoiar grupos de pesquisa, instituições e empresas por meio da capacitação de profissionais e prestação de serviços, garantindo sustentabilidade.

“O Brasil tem um ecossistema de vacina que é quase completo: tem as instituições que fazem a prova de conceito, tem grupos muito bons que fazem ensaios clínicos, temos as fábricas que produzem vacinas e o SUS [Sistema Único de Saúde] que distribui com muita capilaridade. Porém, nós não tínhamos a parte de inovação, que passa da prova de conceito para o ensaio clínico. É o nosso nicho, onde pretendemos atuar”, explica o coordenador do CTVacinas UFMG, Ricardo Gazzinelli. “Vamos deixar um legado de uma instituição que atue em nível nacional em parceria com universidades, institutos de pesquisa, setor privado, facilitando essa área que é tão importante para a área de vacinas e de biotecnologia”, afirmou Gazzinelli.

(Foto: divulgação MCTI)

Estrutura

A estrutura física do Centro Nacional de Vacinas MCTI contará com cerca de seis mil metros quadrados de área construída, divididos em um prédio de cinco andares. O edifício, em formato em L, contemplará toda a parte científica e de desenvolvimento de vacinas, além de biotérios, setores de produção de proteína recombinante, setores de análise de genoma, de bioinformática e de análises de respostas imunológicas.

A construção está na fase de terraplenagem do terreno, e a previsão é que o Centro esteja pronto em 2025. Toda a infraestrutura será voltada para a produção de lotes clínicos, ou seja, o CN Vacinas MCTI fará todo o desenvolvimento do imunizante e entregará a tecnologia para que a indústria nacional fabrique os imunizantes em larga escala.

CTVacinas

O CTVacinas é um centro de pesquisas em biotecnologia, resultado de parceria estabelecida entre a UFMG, o Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Minas) e o BH-TEC. O Centro reúne pesquisadores vinculados à UFMG e à Fiocruz-Minas.

O Centro é voltado ao desenvolvimento de novas tecnologias ligadas à produção de kits de diagnóstico e vacinas contra doenças humanas e veterinárias. Em julho deste ano, recebeu a certificação Boas Práticas de Laboratório (BPL), emitida pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Trata-se de um sistema da qualidade que referenda o processo organizacional e as condições sob as quais estudos e pesquisas referentes à saúde e ao meio ambiente são planejados, realizados, monitorados, registrados, arquivados e relatados.

No caso de laboratórios que desenvolvem pesquisas na área da saúde, a certificação BPL é um dos requisitos determinados pela Anvisa. O processo é necessário para atender as normas regulatórias para a produção de lotes-piloto de imunizantes que, com isso, poderão ser utilizados em testes pré-clínicos e clínicos.

O CTVacinas é responsável pelo desenvolvimento da SpiN-TEC MCTI UFMG, o primeiro imunizante 100% brasileiro contra a covid-19, cujos testes clínicos foram iniciados no mês passado na Faculdade de Medicina da UFMG. O Centro também pesquisa imunizantes que protegem contra outras doenças, como monkeypox (vírus MVA), malária (em associação com a professora Irene Soares, da USP), leishmaniose humana, dengue, covid-19 (DNA e RNA), doença de Chagas e influenza.

 

Fonte: MCTI 

 

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