| Em 07/04/2021

Pesquisadores realizam primeiras autópsias em indivíduos que morreram de Covid-19 na Bahia

(Foto: reprodução FAPESB)

Em busca de aprofundar os conhecimentos sobre os impactos da Covid-19 no corpo humano, um grupo de pesquisadores do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) estuda como a doença é capaz de afetar diferentes órgãos, analisando como o organismo lida com a infecção e os principais indicativos de agravamento dos casos. À frente do projeto, que possui apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), Washington dos-Santos afirma que a Fiocruz Bahia foi responsável pelos primeiros procedimentos de autópsia em indivíduos que vieram a óbito em decorrência da Covid-19, além de ressaltar a importância e as dificuldades de realizar o procedimento em pessoas que morrem pela doença.

“A autópsia que realizamos possui a alcunha de ‘minimamente invasiva’. É a forma mais viável que encontramos para seguir com o estudo, visto que o procedimento é seguro para a equipe que realiza, quando comparado às autópsias tradicionais, além de possuírem menos resistência por parte dos familiares da vítima em aceitarem disponibilizar o corpo, uma vez que ele não ficará com as marcas deixadas por uma autópsia comum”, ressalta Geraldo Oliveira (Fiocruz Bahia), líder da equipe de necropsias. De acordo com o pesquisador, este método vem sendo cada vez mais executado ao redor do mundo e chama atenção para a necessidade de dar continuidade a pesquisas científicas como esta. “Através desses procedimentos que somos capazes de reconhecer precocemente os riscos de uma doença e as medidas de prognóstico que podem reverter um quadro de risco”.

Geraldo chama atenção para o fato de que este estudo utiliza amostras dos locais exatos onde ocorrem as lesões que podem levar a óbito. “Ao analisarmos pulmão, fígado, rim, baço, coração, entre outros, estamos nos permitindo fazer uma avaliação mais direta das alterações. Até agora, já realizamos oito autópsias minimamente invasivas, sendo inclusive a primeira vez que o procedimento foi realizado aqui na Bahia”. As observações feitas ao longo dos procedimentos serão discutidas com o corpo clínico do Instituto Couto Maia (ICOM), em uma sessão aberta a profissionais de saúde e pesquisadores interessados pelo estudo da doença. “Algumas famílias, seja por motivo cultural, religioso ou afetivo, podem criar resistência na hora de autorizar a autópsia no corpo do falecido. Por isso, o procedimento minimamente invasivo pode ser a solução para realizar o estudo, sem agredir os limites impostos pelos entes queridos”.

A curto prazo, o trabalho poderá contribuir, em tempo real, com informações sobre as causas de morte dos pacientes durante o curso da pandemia. Segundo o pesquisador, as reuniões com o corpo clínico do ICOM serão mensais e servirão para apresentar os resultados encontrados, a fim de entender melhor a doença e os melhores tipos de tratamento. As próximas etapas, envolverão estudos moleculares das amostras coletadas dos órgãos lesados dos pacientes, para obter conhecimentos que ajudem a sociedade a se preparar para enfrentar, de maneira mais adequada, futuros eventos como a atual pandemia. “Por fim, estamos também formando equipes técnicas habilitadas para fazerem essas necropsias minimamente invasivas. No futuro, poderemos responder rapidamente ao surgimento de possíveis surtos e doenças letais em qualquer parte da Bahia”.

 

Fonte: FAPESB  (Texto: Ascom/Fapesb)

 

SIGA O CONFAP NAS REDES SOCIAIS:  

    

 

 

Leia também

Em 09/10/2026

Divulgado o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026 

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) publicou, nesta sexta-feira (9), o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026. Lançada em parceria com o Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), a chamada tem como objetivo apoiar a mobilidade de pesquisadores doutores sediados no Brasil para integrarem equipes de pesquisa na Europa, em projetos financiados […]

Em 06/10/2026

Fapepi vai investir mais de R$ 3 milhões em startups piauienses através do Programa Centelha 3

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), empenhada em estimular o empreendedorismo e à inovação no território piauiense, teve orçamento de R$ 3.008.000,00 (três milhões e oito mil reais) aprovado para investir na terceira edição do Programa Centelha. A iniciativa, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela […]

Em 05/10/2026

O que os movimentos do corpo podem revelar sobre os níveis de ansiedade?

Vida corrida, pressão diária e incertezas fazem parte da rotina de muitas pessoas. Mas será que os movimentos do nosso corpo, registrados por um smartwatch, podem ajudar a identificar diferentes níveis de ansiedade? Foi justamente essa pergunta que levou pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) a investigar se técnicas de Inteligência […]

Em 02/10/2026

Nova ferramenta de IA prevê rota e intensidade de tempestades em curtíssimo prazo

Saber com exatidão a rota de uma tempestade e a intensidade da chuva para os próximos 30 minutos deixou de ser um desafio que exige supercomputadores. Uma nova ferramenta – desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e denominada TITAN-LSTM – une dados de radares meteorológicos e inteligência artificial para realizar previsões de curtíssimo prazo, […]