| Em 11/11/2020

Com apoio da Fapeam, pesquisa busca estratégia para conter proliferação de mosquito da malária

Mosquito do gênero Anopheles, transmissor da malária. (Foto: pixabay)

Um estudo realizado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) está buscando estratégias para conter a proliferação do mosquito Anopheles, transmissor da malária. Testes em laboratório (in vitro) da iniciativa verificaram que compostos orgânicos podem futuramente ser utilizados como nova ferramenta para o controle populacional do inseto vetor da doença.

No estudo, os pesquisadores avaliaram se compostos bioativos encontrados em plantas nativas da Amazônia ou que estão depositados em banco de dados de moléculas têm potencial para inibir a enzima trealose-6-fosfato fosfatase, proteína produzida pelo organismo do Anopheles e que desempenha papel fundamental no metabolismo e fisiologia do mosquito.

De acordo com o pesquisador do estudo, Marcos Cézar Fernandes Pessoa, a enzima é considerada uma molécula-chave para a sobrevivência de insetos vetores. Nestes insetos, o dissacarídeo trealose (produto da catálise da enzima) é o principal carboidrato da hemolinfa, utilizado tanto como fonte de energia durante o voo quanto para outras vias metabólicas vitais.

“Devido à enzima atuar em importantes vias metabólicas, sua inibição provocaria um efeito cascata sobre diferentes funções no metabolismo do inseto, tendo consequências deletérias sobre a fisiologia e à própria sobrevivência do mosquito vetor, o que contribuiria para o seu controle populacional”, enfatizou Marcos Pessoa.

O entendimento sobre o funcionamento metabólico da enzima e o achado de um possível composto inibidor pode contribuir para o desenvolvimento de inseticidas com potencial para diminuir a competência do vetor em transmitir o plasmódio (parasita) para as populações humanas. A importância do estudo se deve ainda ao fato da região amazônica ser área endêmica de malária.

O projeto “Prospecção de inibidores para a enzima Trealose-6-fosfato fosfatase a partir de espécies vegetais nativas da Amazônia e por Screening Virtual” foi desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e, amparado pelo Programa de Apoio à Fixação de Doutores no Amazonas (Fixam/AM), edital nº 017/2014, da Fapeam.

Estudo

O projeto teve duas frentes de pesquisa: uma de prospecção a partir dos extratos vegetais de plantas amazônicas e outra por estudos de triagem (screening) virtual de compostos orgânicos por acoplamento/ancoragem (docking) molecular.

A primeira pretendeu descobrir se existe na flora amazônica alguma espécie que produza compostos bioativos eficazes na inibição da atividade da enzima trealose-6-fosfato fosfatase. Nesta vertente não foram encontrados compostos bioativos que pudessem inibir a enzima, pois nos bioensaios de dose, as frações e os óleos essenciais tiveram atividade somente em altas concentrações e, por isso, não foram usados nos testes in vitro.

Entretanto, esta alternativa demanda estudos mais detalhados a fim de se comprovar a eficácia ou não dos compostos oriundos da flora amazônica contra esta enzima.

Na segunda vertente, por triagem virtual, verificou-se que a triagem virtual e o acoplamento molecular demonstraram ser técnicas eficazes, na medida em que compostos orgânicos mostraram, in vitro, atividade inibitória contra a enzima. Estudos com derivados orgânicos destes compostos, que possam ter maior afinidade ao sítio catalítico da trealose-6-fosfato fosfatase, são uma alternativa promissora para pesquisas futuras.

Os estudos de triagem virtual foram importantes para demonstrar se compostos orgânicos comercialmente disponíveis também podem ser eficazes na inibição desta enzima.

(Fotos: Acervo do Pesquisador Marcos Cézar Fernandes Pessoa)

Fixam

O programa consiste em estimular a fixação de recursos humanos com experiência em ciência, tecnologia e inovação e/ou reconhecida competência profissional em instituições de ensino superior e pesquisa, institutos de pesquisa, empresas públicas de pesquisa e desenvolvimento, empresas privadas e microempresas que atuem em investigação científica ou tecnológica.

 

Fonte: FAPEAM (Texto: Helen de Melo/FAPEAM)

 

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