| Em 01/06/2020

Estudo clínico pioneiro comprova eficácia do Cabotegravir injetável como Profilaxia Pré-Exposição ao HIV

(Imagem: reprodução hptn.org)

 

O estudo internacional HPTN 083, coordenado pela pesquisadora do programa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, Beatriz Grinsztejn, comprovou que Injeções de Cabotegravir a cada oito semanas foram altamente eficazes para Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP). “Esta é uma conquista sem precedentes para o campo da prevenção do HIV. O Cabotegravir de ação prolongada como PrEP fornece uma arma nova e poderosa que pode realmente fazer a diferença no objetivo de acabar com a Aids até 2030”, destacou Grinsztejn, chefe do laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), que coordenou a nível global o ensaio clínico em parceria com Raphael Landovitz, professor associado da Divisão de Doenças Infecciosas da David Geffen School of Medicine, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). O anúncio foi feito em 18 de maio, pela Rede de Estudos de Prevenção do HIV (HIV Prevention Trials Network – HPTN).

HPTN 083

O HPTN 083 foi o primeiro ensaio clínico em larga escala de um medicamento injetável de ação prolongada com potencial para ser usado na prevenção ao HIV. O estudo comparou a eficácia e segurança do Cabotegravir com a Truvada em 4.570 voluntários HIV negativos. Participaram da pesquisa homens gays e outros homens que fazem sexo com homens e mulheres trans, e travestis que fazem sexo com homens, em 43 centros de pesquisa de sete países (África do Sul, Argentina, Brasil, Estados Unidos da América, Peru, Tailândia e Vietnã). A inclusão teve início em novembro de 2016, dois terços do grupo de participantes tem menos de 30 anos e 12% são mulheres trans e travestis. A coordenação clínica do estudo no centro do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids foi feita pela Dra. Lara Esteves Coelho, pesquisadora do INI/Fiocruz, que incluiu o maior número de participantes (240) entre todos os centros do mundo.  

Os participantes, todos considerados sob risco aumentado de contrair o HIV, foram aleatoriamente designados para receber cabotegravir injetável de ação prolongada a cada oito semanas ou usar Truvada diariamente como PrEP. O desenho do ensaio clínico previa que cada voluntário receberia cabotegravir ou truvada por três anos na fase cega do estudo (quando nem os participantes nem os pesquisadores sabem que medicamento os pacientes estão recebendo).

Na primeira das três análises intermediárias previstas no protocolo o comitê de monitoramento de dados e segurança verificou que os dados mostravam a alta eficácia do Cabotegravir. Entre os que usaram Cabotegravir a taxa de aquisição da infecção pelo HIV era muito mais baixa do que entre os que usaram Truvada em dose diária. No total de 50 pessoas que adquiriram o HIV durante o estudo, 38 aconteceram no braço Truvada e 12 no braço Cabotegravir.

 A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (National Institute of Allergy and Infectious Diseases – NIAID), ligado aos Institutos Nacionais da Saúde (National Institutes of Health – NIH) em copatrocínio com o Ministério da Saúde do Brasil.

Sobre a rede HPTN

A Rede de Ensaios de Prevenção ao HIV (HPTN) é uma rede mundial de ensaios clínicos colaborativos que reúne pesquisadores, especialistas em ética, membros da comunidade e outros parceiros para desenvolver e testar a segurança e eficácia de intervenções projetadas para impedir a aquisição e transmissão do HIV. O HPTN colabora com mais de 85 locais de pesquisa clínica em 19 países para avaliar novas intervenções e estratégias de prevenção do HIV em populações consideradas mais vulneráveis à infecção. A agenda de pesquisa da HPTN – mais de 50 ensaios em andamento ou concluídos com mais de 161.000 participantes inscritos e avaliados – concentra-se principalmente no uso de estratégias integradas: uso de medicamentos antirretrovirais (terapia antirretroviral e profilaxia pré-exposição); intervenções para abuso de substâncias, particularmente uso de drogas injetáveis; intervenções comportamentais de redução de risco e intervenções estruturais. 

 

Fonte:  INI/Fiocruz

 

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