| Em 05/09/2019

Fapemig encerra Programa DELA

Aproximar mulheres do universo de empreendedorismo e inovação. Este foi o objetivo do Desafio de Empreendedorismo do Legado Acadêmico (Dela/Fapemig), programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), encerrado na última sexta-feira (30/08). A reunião, que marcou a última atividade entre bolsistas e mentoras do projeto, apresentou um pouco do ecossistema de empreendedorismo e inovação de Belo Horizonte às participantes. Segundo Caroline Valeriano, coordenadora da unidade SIMI/Fapemig, responsável pela execução do projeto, a formação em empreendedorismo foi o primeiro contato que a maioria das bolsistas tiveram com o tema. “Quisemos mostrar como as coisas acontecem, que é possível levar as pesquisas para a sociedade, por meio do empreendedorismo e da inovação”, informa.

O encerramento começou pela manhã na Fundação Ezequiel Dias (Funed), onde as bolsistas puderam conhecer a biblioteca, o serpentário e a Divisão de Desenvolvimento de Medicamentos da instituição. Além de visitarem o laboratório de pesquisa em oncologia celular. A tarde, a visita foi no Laboratório Aberto – onde elas conheceram o funcionamento de alguns maquinários industriais. As festividades se encerraram em uma reunião com o presidente da Fapemig, Evaldo Vilela, onde apresentaram seus projetos e pretensões para o futuro.

 Na reunião, o presidente da Fundação lembrou que aquela não era a primeira vez que a instituição trabalhava em prol do empreendedorismo acadêmico. Segundo Evaldo Vilela, em 2008 também houve a tentativa de ensinar um pouco do tema as pessoas. “A ideia de projetos como estes é fazer algo que possa impactar a sociedade. Sabemos que os chineses estudam muito as nossas necessidades para vender coisas para nós e geram empregos lá. Então, por que não criamos essas soluções? Por que temos de importar tudo?”.

Dona de uma startup em processo de investimento e entusiasta do empreendedorismo feminino, Alana Santos Bens, conta que foi uma honra participar como mentora do programa. Segundo ela, as mulheres representam uma grande parte da comunidade acadêmica, mas, estranhamente, isso não se reflete na parte da divulgação e comercialização das tecnologias. “O projeto foi uma oportunidade dessas bolsistas explorarem o seu potencial como pesquisadoras e como ‘mulheres de negócio’. Mulheres que vão ser cruciais na mudança do nosso País”, ressalta.

 Empreendendo a diversidade 
O projeto Dela/Fapemig surgiu como uma forma de promover a capacitação de mulheres em técnicas e habilidades empreendedoras. Durante sete semanas, 32 bolsistas de diversas cidades mineiras aprenderam sobre oportunidades e desafios do empreendedorismo em ciência, tendências para a área de pesquisa, comunicação e o mais importante, como tirar o projeto da academia e empreendê-lo.

Doutoranda da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), na área ambiental, Ludmila Silva trabalha com micróbios e bactérias no tratamento de esgoto. Seu objetivo é desenvolver um sistema que tenha o menor consumo energético e que seja viável economicamente. Segundo a estudante, atualmente seu trabalho é bem acadêmico, mas graças ao projeto teve a oportunidade de ir além. “Durante as etapas tentei trazer meu projeto para o empreendedorismo, para torná-lo um negócio, não apenas uma tese de doutorado. O que é muito importante porque é um retorno para a sociedade do que o governo investiu em nós”, conta.

Mas o caminho do empreendedorismo não é fácil e para as participantes do programa não foi diferente. Para se ter uma ideia, a estudante da Universidade de Federal de Minas Gerais (UFMG) Bárbara Figueira chegou, inclusive, a pensar em desistir.

A socióloga, também formada em design de moda, estuda mulheres veganas e teve a ideia de fazer uma marca de moda vegana. Porém, duas coisas quase a fizeram desistir. “Primeiro, foi o medo. A carreira acadêmica é algo seguro. Já tem seus passos, não precisa ficar inventando. E a maior dificuldade, o pessoal. Acontece que eu estava terminando o mestrado, além disso, eu tenho um menino pequeno. Ele fica em casa e eu precisava dar conta do conjunto da obra”, lembra.  Figueira, no entanto, não desistiu e conseguiu chegar ao fim do desafio. E já enfrenta outros. “Depois do Dela as coisas começaram a acontecer. Fui caminhando com o projeto e comecei a receber convites para participar de uma coisa e outra. Agora estou no Dela do Sebrae e fui convidada para participar de uma rodada de negócios de mulheres empreendedoras. Acho que vai para a frente”, conta entusiasmada.

Empreendendo o futuro
Além de Bárbara Figueira, outras participantes já pensam em como levar para o mercado suas ideias. Seja participando de concursos que necessitam apenas de uma ideia como o Fallyng Walls Lab e o Programa Centelha, ambos apoiados pela Fapemig, seja com parcerias internacionais como é o caso de Dalila Varela. Estudante da UFMG, seu projeto busca ajudar o setor público a mapear bens públicos realmente representativos para a sociedade. A ideia, segundo Dalila Varela, surgiu após trabalhar na prefeitura e perceber que a sociedade não vê valor em alguns bens e por isso não os conserva. “Após o programa eu fiz contato, dentro da própria Universidade, com um CEO de uma empresa portuguesa que ficou interessado em desenvolver meu projeto e estamos conversando”, informa.

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