| Em 19/12/2018

Pesquisadores alertam para contaminação da água em diversos pontos do estado de Santa Catarina

Presença de metais tóxicos em águas do Aquífero Guarani/Serra-Geral na cidade de Lages, altos índices de nitratos e coliformes relacionados à falta de coleta e tratamento de esgotos na região do lago da UHE Itá, presença de pesticidas na Usina Foz do Chapecó. Esses são alguns resultados que pesquisadores da Rede Guarani/Serra-Geral apresentaram no Seminário realizado no dia 11 de dezembro, mostrando a situação de vulnerabilidade à contaminação alarmante em diversas partes do Estado. O evento, aberto pelo presidente da Fapesc, Gilberto Agnolin, teve a presença do secretário-adjunto do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Fabio Lima, que exaltou o papel da Fapesc em fortalecer a pesquisa e o desenvolvimento do estado, principalmente por meio de estudos nas áreas de meio ambiente e recursos hídricos.

O professor Carlos Soares, do Departamento de Bioquímica da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), coordenou pesquisas de avaliação da qualidade da água nas Bacias do Rio do Peixe e do Rio Canoas. Os principais trechos do Rio Canoas são entre os municípios de Correia Pinto, Otacílio Costa e Ponte Alta, onde há áreas de plantio de Pinus e indústrias papeleiras, que lançam efluentes, causando aumento de toxicidade nas águas pela presença de fenol e sulfetos. “A contaminação dessas águas impacta o crescimento de algas, microcrustáceos e intoxica a população de peixes. Observamos que esse ambiente afeta as brânquias e fígado dos peixes, além de trazer desregulação hormonal. Os peixes passaram a ter maiores dificuldades de reprodução, e, quando chegam a se reproduzir, afetam o desenvolvimento dos embriões, e esta intoxicação se estende à população humana, que consome essa carne”, resume o professor.

Enquanto isso, pesquisas na região da Bacia do Alto Uruguai detectaram que o Rio Lajeado São José, que abastece a maior cidade da região Oeste, foi o que apresentou a pior qualidade da água entre os 9 rios estudados. O professor Jacir Dal Magro, do Depto. de Ciências Ambientais da UnoChapecó, alerta que o maior problema relacionado à contaminação hídrica encontra-se na região urbana, onde falta coleta e tratamento de esgotos. Outro projeto conduzido por ele, que estudou a distribuição de metais pesados e pesticidas no sedimento e água em reservatórios da mesma bacia hidrográfica, detectou a presença de chumbo, cobre e zinco e manganês no sedimento em Itá, e cádmio na Foz do Chapecó. Em relação às águas subterrâneas, o pesquisador destacou: “chama a atenção para os metais ferro e manganês, que em, respectivamente, 31 e 85 dos 100 poços utilizados na pesquisa apresentaram concentrações acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Assim como nas águas superficiais, estes metais estão relacionados às características das formações geológicas da região.”

Esses e outros resultados já foram divulgados em mais de 160 publicações acadêmicas, entre livros, capítulos de livros, artigos em revistas cientificas, anais de congressos, pôsteres e relatórios. Eles motivaram dezenas de estágios de bolsistas de graduação, 8 teses de doutorado, 8 dissertações de mestrado e 19 TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso). Todo esse acervo está disponível no site www.rgsgsc.wordpress.com.

O prof. Luiz Fernando Scheibe, coordenador da Rede Guarani/Serra-Geral, destacou as seis metas do projeto: hidrogeologia e recuperação ambiental; pesquisas sobre qualidade da água; formulação de políticas públicas; elaboração de um marco jurídico; desenvolvimento de educação e tecnologias alternativas; e a coordenação de uma rede de pesquisadores. Além da UFSC e da UNnoChapecó, fazem parte da rede a Udesc, Epagri, Furb, Uniplac, Unoesc e UnC.

No evento também foi lançado o livro Águas subterrâneas: um patrimônio catarinense, que está disponível gratuitamente em e-book neste link. “Essa publicação”, para o prof Scheibe, “garantiu a união entre o projeto jornalístico e o projeto científico, que certamente está muito mais compreensível a diversos públicos do que apenas a publicação de resultados acadêmicos”. A obra, produzida pela Rede Guarani em conjunto com a agência Mafalda Press e a jornalista Imara Stallbaum, reúne fotografias de reservatórios, barragens, afloramentos, rios e aquíferos subterrâneos de diversas regiões do estado, além de mapas e gráficos da distribuição e uso dessas águas. Entre outros assuntos, os textos tratam da formação geológica que abriga as massas de água e da vulnerabilidade do sistema devido aos índices preocupantes de poluição, alertando para a necessidade de preservação, necessidade de coleta e tratamento de esgoto, além da educação ambiental.

Fonte: Comunicação Fapesc.

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