| Em 07/12/2018

Chamada vai financiar pesquisadores interessados na recuperação das áreas atingidas pelo rompimento de Fundão

Mariana (MG) – Ruínas em Paracatu de Baixo, distrito de Mariana, após dois anos da tragédia do rompimento da Barragem de Fundão da Samarco. Foto: José Cruz/Agência Brasil.

Parceria firmada entre a Fundação Renova e as Fundações de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo e de Minas Gerais (Fapes e Fapemig) vai investir R$ 5,7 milhões em projetos de pesquisa que proponham soluções para a recuperação socioeconômica e socioambiental das áreas atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). As inscrições para a chamada estarão abertas a Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs) sediados em Minas Gerais ou no Espírito Santo.

Por meio da Chamada Pública Fapemig 09/2018, serão selecionados e financiados projetos de pesquisa de até R$ 1 milhão e com prazo para desenvolvimento de 24 meses. As propostas devem abordar uma ou mais linhas temáticas apresentadas na chamada, como pesca, educação e cultura, uso sustentável da terra, monitoramento de ecossistema, entre outras.

As inscrições podem ser feitas no link http://fapemig.br/pt/menu-chamadas/chamadas-abertas/ até o dia 31 de janeiro de 2019.

“A Fapes, desde a primeira hora do rompimento da barragem de Fundão, se comprometeu em buscar soluções. Procuramos a Fapemig e firmamos uma parceria para um edital conjunto, iniciativa que foi encorpada com a adesão da Capes, Agência Nacional de Águas e CNPq”, explica o diretor-presidente da Fapes, José Antonio Bof Buffon. “O objetivo é buscar o aprofundamento do conhecimento relacionado com o Rio Doce, particularmente naqueles temas agora mais voltados para a recuperação do rio e da sustentabilidade socioeconômica da região afetada”.

Segundo Paulo Rocha, líder da frente de fomento à economia da Fundação Renova, uma das premissas da entidade é incentivar e financiar a produção de conhecimento relacionado à recuperação das áreas impactadas pelo desastre, através da criação e fortalecimento de linhas de pesquisa de tecnologias aplicadas.

“Considerando o ineditismo do rompimento e das ações de reparação, grande parte das soluções tecnológicas para os desafios encontrados pelas áreas socioeconômicas e socioambientais da Fundação ainda se encontra na fronteira do conhecimento. O apoio da Fapemig e da Fapes é essencial nesse contexto”, avalia.

O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, Paulo Sérgio Lacerda Beirão, completa: “Quando o poder público ou uma empresa enfrenta determinado problema, raramente recorre à academia para ajudar a encontrar a solução. Há exceções, claro. Mas, no geral, a tendência é copiar soluções do exterior ou comprar tecnologias, que nem sempre são as mais adequadas. A academia pode contribuir muito, e quando não há conhecimento pronto, ela busca. A participação da ciência é fundamental para solucionar crises desse tipo e precisamos incentivar indústria e academia a conversar mais”.

Sobre a Chamada Pública
O edital é uma iniciativa derivada do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre Fundação Renova, Fapemig e Fapes em maio de 2017. O acordo prevê o estabelecimento de parcerias entre as instituições para o fomento e financiamento de estudos que tenham como foco a recuperação das áreas impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

A Fundação Renova conduziu um levantamento interno junto às suas áreas técnicas para a definição de linhas temáticas, que serão norteadoras do tipo de pesquisa desejado e que auxiliarão no processo de seleção dos projetos inscritos.

Tais linhas foram agrupadas nas áreas abaixo:

  1. I) Educação e Cultura;
  2. II) Memória Histórica, Cultural e Artística;

III) Pesca;

  1. IV) Monitoramento de Ecossistemas;
  2. V) Uso da água;
  3. VI) Uso Sustentável da Terra;

VII) Novos processos para Gestão do Conhecimento e Governança;

VIII) Organização Social;

  1. IX) Manejo de Rejeitos.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Fapes.

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