| Em 21/09/2018

Estudo pretende implantar sistema de monitoramento da qualidade do ar em Manaus

Atualmente em função da crescente preocupação com o meio ambiente, cresce também a necessidade de avaliar os impactos gerados a partir da poluição ambiental. Pensando nesse contexto o pesquisador e professor Ricardo Ferreira da Universidade do Amazonas (UEA/EST) realizou um estudo para avaliar a qualidade do ar na Região Metropolitana de Manaus (Manaus, Iranduba e Manacapuru).

O projeto contou com um comitê científico composto por pesquisadores brasileiros e norte-americanos de diversos institutos de pesquisa e universidades. O objetivo do projeto foi a aquisição de uma estação de qualidade do ar que hoje funciona na UEA/EST apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

A ideia de escolher o município de Manacapuru e outros municípios vizinhos como ciclo experimental partiu da análise de estudo que a cidade está vento abaixo de Manaus, ou seja, toda carga de poluição de Manaus vai em direção ao interior, em média em boa parte do ano.

Segundo Ferreira, ao longo do ano boa parte do vento de Manaus vai em direção da região o experimento rodou por mais de um ano e os resultados mostraram que na estação seca os níveis de poluição de Manacapuru como, por exemplo, material de particulado de ozônio estavam  bem acima dos níveis considerados pelo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

“O vento predomina na nossa região parte do ano de leste para oeste e parte do ano do nordeste para sudoeste, então foi escolhido a cidade para analisar os níveis de poluição daquela região que acreditamos que possam ser de Manaus,” explicou.

Para o pesquisador, há uma grande quantidade de olarias em Iranduba no qual contribui para uma pior qualidade do ar. Na estação seca, durante alguns dias, o  ar nesses municípios fica mais poluído que em Manaus. Além disso, o fato destes municípios ficarem localizados vento abaixo da capital faz com que eles recebam, em boa parte do ano, a carga de poluição de Manaus.

“Não sei como funciona a regulamentação das olarias, mas independente disso Manacapuru e Iranduba sofrem um pouco com essa carga de poluição e coloca em uma situação mais vulnerável, em ponto de vista qualidade do ar,” conta o especialista.

Para o professor, as medidas que foram realizadas são de cunho científico, as pesquisas têm uma vida útil e hoje não existe um monitoramento contínuo em diferentes pontos da cidade de Manaus. A UEA tem apenas uma estação piloto de monitoramento e vem tentando novas parcerias para ampliar este monitoramento para outras zonas da cidade de Manaus.

“Já estamos discutindo com algumas secretarias, com o tempo esperamos renovar essa parceria, no primeiro é colocar a estação operacional, que construímos. No segundo momento é ampliar essa rede e no terceiro momento é a gente alertar para os órgãos de controle sobre os níveis de  qualidade de ar de Manaus,” explica.

Parcerias

O projeto teve apoio da Fapeam através do Programa de Apoio à Consolidação das Instituições Estaduais de Ensino e/ou Pesquisa (Pró–Estado) que visa fortalecer e incentivar o desenvolvimento de iniciativas que ampliem a formação de recursos humanos em nível de Pós-Graduação stricto sensu – de conhecimento científico e inovação tecnológica no âmbito das Instituições Estaduais de Ensino Superior.

Conforme Ferreira, o fruto de todo esse exercício, foi criado um convênio de cooperação entre a Universidade do Estado do Amazonas e a Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade de Harvard (EUA) assinado no dia 21 de maio de 2015.

“Foi uma sucessão de projetos e não um projeto único começamos com um projeto estruturante da Finep 2012 e 2013 em seguida veio o GoAmazon parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) ,Fapeam e  Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE).

 Atualmente a atividade de monitoramento está sendo realizada na torre do observatório do Museu da Amazônia (Musa) com os alunos de doutorado que também participam do projeto, é realizada uma coleta de amostra de ar na atmosfera embarcado em veículos aéreos não tripulados comercialmente disponíveis (Drones).

“A gente traz essa amostra de ar para o laboratório analisamos e observamos o nível de concentração de orgânicos de voláteis na floresta “

A doutoranda Pós Graduação em Clima e Ambiente, Carla Etefani, explica que a vegetação é responsável por quase toda a emissão de compostos orgânicos voláteis biogênicos (COVB’s), que variam amplamente entre as espécies de plantas, tipo de ecossistema, estação do ano, hora do dia e condições ambientais. Essas diferenças têm efeitos significativos na química atmosférica, na qualidade do ar e do clima, podendo ser indicadores de mudanças nos ecossistemas.

“Estamos realizando observações em campo para as emissões de COVB’s realizadas em torres de localização fixa de drones, pois possuem o potencial de preencher essa lacuna no conhecimento devido à suamanobrabilidade permitindo trabalhar em uma escala intermediária de 100 a 3000 metros. explica,”.

Recursos Humanos

Para Ferreira, um dos aspectos de todas essas pesquisas é atuar fortemente na capacitação dos recursos humanos.

“Já formamos mais de dezenas de alunos envolvendo graduação, mestrado e doutorado e isso fica para o estado e a maioria dos alunos futuramente serão absorvidos aqui para os institutos de pesquisa da região e essa é mão de obra especializada que foi capacitada e formada aqui gerando novos pesquisadores”, finalizou.

Fonte: Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)/ Fapeam.

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