| Em 15/03/2018

Pesquisadores registram memória da indústria carbonífera catarinense

Devido à importância da mineração na região sul de Santa Catarina, um grupo de pesquisadores da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) mapeou e registrou aspectos ligados ao desenvolvimento da indústria carbonífera, como educação, transporte, religião, assistência, entretenimento e trabalho. A pesquisa deu origem à publicação “Memórias e Identidades: as estruturas carboníferas como patrimônio cultural de Santa Catarina”, que será distribuída a universidades, bibliotecas, arquivos públicos e escolas. O livro foi elaborado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), que apoiou o estudo na chamada realizada em parceria com o Sistema Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acate), lançada em 2015.

O objetivo da pesquisa era promover conhecimentos sobre Patrimônio Cultural material relacionado ao ciclo do carvão em Santa Catarina, a fim de sensibilizar para sua preservação, já que se trata de uma atividade industrial de grande impacto, tanto para a urbanização dos municípios do sul do estado, quanto em relação ao meio ambiente. “Todo o complexo construído para a mineração  foi, em seu tempo, considerado moderno. Porém, no capitalismo, o que é moderno hoje, amanhã é obsoleto.  Assim, inúmeras edificações foram abandonadas. Mapear essas estruturas é para nós,  pesquisadores, uma forma de garantir certa apresentação das memórias associadas a esta atividade econômica”, explica a coordenadora do estudo, Marli de Oliveira Costa, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unesc.

A região pesquisada abarcou as cidades de Criciúma, Lauro Muller, Siderópolis, Capivari, Imbituba, Tubarão e Jaguaruna. Os pesquisadores utilizaram o Acervo do Grupo de Pesquisa Memória e Cultura do Carvão, que durante os anos de 2000 a 2010 organizou vasta documentação sobre o tema, atualmente disponível para consulta no Cedoc, além de documentos disponíveis no Centro de Memória da Educação do Sul de Santa Catarina.

Em visitas a campo para verificar as condições das estruturas registradas, os pesquisadores notaram que muitas delas estavam abandonadas, principalmente da Companhia Siderúrgica Nacional, e que outras haviam desaparecido, como caixas de embarque do carvão que possuíam arquitetura em madeira,  perceptível em fotografias de 2003 e 2004. A professora relata que a pesquisa foi importante para a garantia do direito à memória da indústria do carvão, que proporcionará conhecimento sobre essa atividade econômica, reconhecendo e difundindo esses bens como parte do patrimônio cultural de Santa Catarina.

A partir do estudo foram realizados 3 Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação, além de terem sido publicados 5 trabalhos em eventos nacionais e 5 artigos publicados em periódicos e revistas científicas nacionais.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação da Fapesc (texto: Jéssica Trombini).

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