| Em 01/03/2018

Primeira Unidade Embrapii especializada em fármacos é inaugurada na Unicamp

Projeto que possibilitou a criação do Centro de Química Medicinal de Inovação Aberta é apoiado pelo programa PITE-Fapesp. Foto: CQMED.

O Centro de Biologia Química de Proteínas Quinases da Universidade Estadual de Campinas (SGC-Unicamp), criado em 2015 com apoio da Fapesp, acaba de se transformar na primeira Unidade Embrapii especializada em fármacos e biofármacos, com a denominação de Centro de Química Medicinal de Inovação Aberta (CQMED).

O novo acordo firmado com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e com os laboratórios Aché e Eurofarma prevê investimento inicial de R$ 8,4 milhões. O dinheiro será destinado à pesquisa de novas moléculas para o desenvolvimento de agentes anti-infeciosos e de medicamentos contra o câncer.

A Embrapii financiará R$ 1,8 milhão por empresa com recursos não reembolsáveis, ou seja, sem a necessidade de devolução do montante. Cada farmacêutica investirá aproximadamente um terço do montante do projeto. A Unicamp vai oferecer infraestrutura física e recursos humanos para a realização dos trabalhos.

“O objetivo do CQMED é desenvolver projetos de inovação em parceria com a indústria farmacêutica. Nossa meta é firmar contratos com pelo menos cinco empresas nos próximos seis anos”, disse Katlin Massirer, pesquisadora da Unicamp e coordenadora do CQMED ao lado de Paulo Arruda.

O modelo open science adotado desde a criação do centro será mantido, bem como a colaboração com o Structural Genomics Consortium (SGC) – parceria público-privada que reúne mais de 300 cientistas de universidades, indústrias farmacêuticas e entidades sem fins lucrativos de apoio à pesquisa de vários países.

O escopo das pesquisas, porém, foi ampliado. Originalmente, o objetivo era estudar as proteínas quinases – classe de enzimas responsável por regular processos importantes do organismo e, portanto, alvo prioritário para o desenvolvimento de fármacos.

Agora, os projetos poderão ter como foco qualquer proteína-chave para o tratamento de doenças, entre elas câncer, leishmaniose, malária e Chagas.

“A principal tarefa do centro continua sendo o desenvolvimento de sondas químicas, que são compostos capazes de inibir a atividade de proteínas-alvo de forma muito específica, sem interagir com outras moléculas do organismo e que são capazes de penetrar em células. Para isso, contamos com a colaboração das farmacêuticas, que sintetizam os compostos que pretendemos testar e nos auxiliam nas análises dos resultados”, contou Massirer.

A proposta é que todos os achados sejam divulgados abertamente até que uma molécula de interesse da farmacêutica seja identificada. A partir desse ponto, a empresa assume a tarefa de aperfeiçoar e validar o composto em modelos de doenças, além de cumprir as demais etapas necessárias para o desenvolvimento de um fármaco.

O fato de o centro estar vinculado à rede SGC facilita a colaboração internacional e o intercâmbio de experiências, conhecimentos e profissionais. Traz ainda outras vantagens para as empresas, como divisão de risco, economia de recursos financeiros e redução da redundância na pesquisa, evitando testes desnecessários com moléculas que já falharam em estudos anteriores.

Como explicaram os coordenadores do CQMED, o foco das pesquisas no modelo de ciência aberta são as primeiras etapas do desenvolvimento de fármacos, nas quais cerca de 95% das moléculas candidatas falham.

Parceria público-privada

O grupo da Unicamp já mantinha colaboração com o Aché desde 2016, no âmbito de projeto apoiado pelo programa PITE-Fapesp.

“Os trabalhos em andamento continuam e novos alvos de estudos foram incluídos graças ao novo financiamento. A partir deste momento, alocamos também um coordenador científico [Rafael Counago] do grupo dedicado a estes dois projetos Embrapii”, disse Massirer.

Segundo ela, a experiência adquirida na parceria com o setor privado foi fundamental para que o projeto do CQMED fosse selecionado no edital lançado pela Embrapii.

“Para poder concorrer, a universidade precisa mostrar que é capaz de atrair dinheiro privado. O fato de termos um projeto PITE-Fapesp nos ajudou nesse aspecto, além de nos garantir a infraestrutura adequada de equipamentos e pessoal”, disse.

O centro, que começou com apenas cinco integrantes, já conta com uma equipe de 30 pessoas. Além dos projetos PITE e Embrapii, o grupo também conquistou, em 2017, financiamento por meio do programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) – mantido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoiado pela Fapesp. O objetivo, nesse caso, é fomentar parcerias de perfil mais acadêmico para explorar o potencial de genes relevantes para a medicina.

Fonte: Agência Fapesp (texto: Karina Toledo),

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