| Em 07/02/2018

Pesquisadores estudam influência da exploração madeireira no desenvolvimento do Planalto Norte de Santa Catarina

IV Simpósio Nacional do Movimento do Contestado: muito pasto e pouco rastro. Fonte: divulgação.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade do Contestado (UnC), campi Porto União e Canoinhas, estudou as transformações causadas pela serraria Lumber Company nas dinâmicas econômica e social do Planalto norte, além de sua influência na deflagração da Guerra do Contestado. A pesquisa recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Santa Catarina (Fapesc), por meio do edital Universal, que auxilia a realização de projetos em todas as áreas do conhecimento.

A Southern Brazil Lumber and Colonization Company, maior serraria da América do Sul, foi implantada no Planalto Norte catarinense em 1911, e acabou definindo a “vocação” econômica da região. Na década de 1950 foi implantada outra multinacional,atuando no setor de celulose, que ocupa grandes áreas com reflorestamento de pinus e eucaliptos. De acordo com o estudo, a transnacional de exploração madeireira alterou relações sociais, culturais, de trabalho e no que se refere à posse de terras. “Com sua chegada foi acelerado o já existente processo de demarcação e legalização de posse de terras, por parte dos grandes proprietários, o que era necessário para venda e exploração da mata nativa, numa área em que residia grande número de posseiros, meeiros e de terras devolutas”, explica a coordenadora da pesquisa, Soeli Regina Lima, professora da UnC.

Os pesquisadores perceberam que a presença de imigrantes, atraídos pelo mercado de trabalho, modificou o cotidiano local. “A companhia simbolizou para os sertanejos, espoliados do processo de desenvolvimento da região, a marca da desigualdade de condições de vida, numa região em disputa judicial de limites entre os estados do Paraná e Santa Catarina”, afirma a pesquisadora. Eles consideram que este foi o estopim da crise de ocupação territorial que se alastrava desde a Lei de Terras de 1850, agravada com a legislação do governo republicano (1889) e das relações coronelísticas.

Como ponto positivo a Lumber alavancou, no início do século XX, a economia local, implantando uma company town (cidade –empresa), representando o avanço da modernidade nos aspectos de infraestrutura urbana, transporte, lazer e de ocupação humana no Planalto Norte. Outro aspecto abordado no estudo foram as consequências da estatização da empresa, em 1940, e transformação da área em um campo militar com a implantação do Campo de Instrução Marechal Hermes (CIMH), atentando para as correlações com os atuais entraves ao desenvolvimento socioeconômico da região.

A pesquisa apoiada pela Fapesc deu origem ao livro Ecos do Contestado: da serraria Lumber ao Campo de Instrução Marechal Hermes-CIMH, composto por 11 artigos acadêmicos de 7 autores. A publicação foi lançada em 2017, em cerimônia na UnC. No final de fevereiro deve ser lançado o site “Ecos do Contestado”, com objetivo de divulgar documentos históricos, memórias reveladas em entrevistas, fotografias, documentários, e sugestões bibliográficas que poderão contribuir para o ensino e pesquisa da História Regional.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação da Fapesc (texto: Jéssica Trombini).

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