| Em 14/07/2014

Jovem pesquisadora participa de projeto em Israel

Geórgia Schiller Barcellos, 19 anos, descobriu a paixão pela ciência em 2009 quando estudava na Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Novo Hamburgo. Desde o primeiro contato com pesquisa científica há quatros anos, a gaúcha de São Leopoldo, aluna de Química na UFRGS, passou a perseguir o sonho de ser cientista. Neste ano, a dedicação rendeu frutos e ela foi selecionada no programa de verão do Instituto Weizmann, em Israel, um dos mais importantes laboratórios do mundo.

No dia 28 de junho, Geórgia embarcou para a cidade israelense de Rehovolt acompanhada da gaúcha Bárbara Carolina Federhen, aluna do curso técnico de Química da Fundação Liberato. Ambas estão entre os cinco estudantes brasileiros – mais dois paulistas e um catarinense – escolhidos para o programa de verão Dr. Bessie F. Lawrence International Summer Science Institute (ISSI 2014), uma imersão científica no Instituto Weizmann.

Com duração de um mês e participação de mais de 20 países, o projeto aprofunda os estudos dos aprendizes em suas áreas de interesse e apresenta os pontos turísticos e culturais do país, como o safári no Deserto do Neguev. A seleção consiste em escrever uma redação sobre as metas profissionais do futuro cientista e uma entrevista por videoconferência, ambas em inglês. Geórgia e Bárbara foram selecionadas entre 20 concorrentes pelo grupo Amigos do Instituto Weizmann, em São Paulo, que representa o instituto israelense no Brasil.

Para Geórgia, a profissão de cientista é mais valorizada no exterior. “Será uma experiência importante conhecer como funciona a vida real de um grande instituto de pesquisa. Isso não é da nossa realidade. Aqui quem faz pesquisa acaba indo para a universidade. No exterior, valoriza-se mais a profissão cientista. Vai ser legal ver como é o dia-a-dia e como as pessoas trabalham por lá”, afirmou.

Prestes a completar 20 anos no dia 19, a estudante demonstra maturidade e convicção ao falar do futuro profissional. “Quando temos a oportunidade de pesquisar algo que faz teus olhos brilharem, a coisa muda de cenário. Ciência é a ferramenta da mudança. Se desde pequenos, os jovens começarem a se envolver, o mundo só tem a ganhar”, considera.

O primeiro contato dela com a ciência foi na Fundação Liberato, quando teve que fazer um trabalho bibliográfico. “Vi muitos trabalhos incríveis de pessoas novas e pensei: como eles conseguem fazer isso? Decidi que no ano seguinte eu queria também participar de exposições. Foi assim que eu decidi que queria fazer minha própria pesquisa”, contou.

Popularização da ciência

A estudante também comemorou que instituições públicas estaduais e federais como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), a Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) incentivam a popularização da ciência entre os jovens. “Escolas menores e novos projetos estão despertando o interesse pela ciência nos alunos. Acho muito importante o estímulo porque a ciência permite que a pessoa trabalhe em algo que realmente gosta. Muitas vezes na escola o aluno é obrigado a estudar coisas que não nos atrai tanto, mas faz parte”, argumenta.

Jovem premiada

Em 2012, ao lado da colega Paula Schwade, Geórgia recebeu da Fapergs o Prêmio Pesquisador Gaúcho, maior distinção entregue aos destaques da ciência e tecnologia no Estado. As estudantes venceram na categoria Técnico Pesquisador com o projeto de tinta à base de poliestireno expandido.

A pesquisa desenvolvida consistiu na produção de uma tinta para ser empregada na construção civil, usando como base polimérica os resíduos de isopor, substância que possui grande impacto ambiental. O reaproveitamento do resíduo poluente resultou na fabricação de um produto que tivesse valor econômico agregado e implementação viável, a ponto de substituir os artigos convencionais.

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