| Em 26/12/2017

Cenabio inaugura laboratório para desenvolvimento e produção de biomoléculas

O Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (Cenabio), unidade multiusuário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), inaugurou na segunda-feira, 18 de dezembro, um laboratório para desenvolvimento e produção de biomoléculas. A Plataforma Avançada de Biomoléculas (PAB), como é chamada, reúne expertise nacional e tecnologia de ponta para oferecer a pesquisadores brasileiros rapidez e novas soluções para desenvolvimento e produção de peptídeos sintéticos, proteínas recombinantes e reagentes. O objetivo é fortalecer os laboratórios de pesquisa do País. O projeto foi idealizado pelo diretor de Pesquisa, Ensino e Extensão do Cenabio, Marcius Almeida, e o diretor da Unidade de Biologia Estrutural do mesmo centro, Fabio Ceneviva Lacerda Almeida, coordenadores da PAB.

Para o diretor Científico da Faperj e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (Inbeb), Jerson Lima Silva, que esteve presente à cerimônia, o novo laboratório é mais um importante passo para a ciência brasileira. “Associado ao Cenabio, da UFRJ, ele permitirá fazer a translação da pesquisa básica desenvolvida na universidade para a produção em média escala de biológicos para a saúde humana, principalmente nas áreas de câncer e doenças neurodegenerativas”, disse. Ao longo dos últimos anos, a Faperj tem apoiado, por meio de diversas linhas de fomento, a compra de equipamentos e a realização de trabalhos de pesquisa no Cenabio.

O laboratório tem como foco principal o fornecimento de insumos para pesquisa básica, mas também é capaz de atuar no apoio à produção de biofármacos e vacinas, sempre em parceria com laboratórios nacionais, além de conduzir estudos próprios. A Plataforma funcionará tanto a partir da oferta de um portfólio de moléculas já prontas, entre as quais estão enzimas proteolíticas, como no suporte ao desenvolvimento de biomoléculas, de acordo com a demanda específica de cada projeto ou pesquisador. Em média, podem ser produzidas dez moléculas por mês, podendo chegar a 20, dependendo da complexidade de cada encomenda e do volume de projetos em andamento.

Um dos destaques da iniciativa é a possibilidade de redução do tempo e dos custos para o fornecimento desse tipo de moléculas. Marcius Almeida já atua há anos na clonagem e produção proteínas recombinantes, e identificava a necessidade de um centro de excelência capaz de atender as necessidades de pesquisas de ponta em biologia estrutural. “Um dos grandes gargalos da pesquisa brasileira é o desenvolvimento de protocolos para purificação de proteínas. Geralmente, isso costuma ser feito em projetos de mestrado, que levam dois anos. Ou então é necessário importar, a preços exorbitantes”, explica Almeida.

Outra característica importante é a atuação em conjunto entre pesquisadores da equipe da PAB e de outros institutos de pesquisa. Marcius Almeida trouxe a sua própria experiência de campo. “Já costumava atuar em parceria em diversos projetos, entrando com minha expertise na purificação de proteínas. Recentemente, tivemos, por exemplo, a publicação de um trabalho com os professores Renato Sampaio, Katia Cabral e a então mestranda Adalgisa Wiecikowski”, relata o idealizador da PAB, referindo-se a artigo publicado em agosto passado na Protein Expression and Purification, que pode ser acessado na íntegra no site do periódico. O trabalho foi desenvolvido ainda em espaço provisório da Plataforma, entre 2016 e o início do primeiro semestre de 2017. A prática da colaboração é marca ainda de um centro de multiusuários como o Cenabio.

A cerimônia de inauguração aconteceu na segunda-feira pela manhã. O evento foi marcado pelas falas do diretor do Cenabio, Adalberto Vieyra; do diretor de Pesquisa, Ensino e Extensão do mesmo centro, Marcius Almeida; do diretor geral do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, Bruno Leite Moreira; e do reitor da UFRJ, Roberto Leher. Também estiveram presentes o diretor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da UFRJ, Luiz Eurico Nasciutti; o diretor da unidade de Microscopia Avançada do Cenabio, Kildare Rocha de Miranda; o coordenador do INCT de Biologia Estrutural e Bioimagem (Inbeb), Jerson Lima Silva, e a vice-diretora do Cenabio, Fernanda Tovar Moll. Representando as agências de financiamento de pesquisa que apoiaram à Plataforma, estavam o diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde (DABS/PRE) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marcelo Marcos Morales, e a diretora de Tecnologia da Faperj, Eliete Bouskela.

A Plataforma Avançada de Biomoléculas possui infraestrutura básica para produção de peptídeos e proteínas recombinantes. É equipada com biorreator e sistemas de cromatografia líquida para produção e purificação de proteínas recombinantes e sintetizador de peptídeos, além de outros equipamentos de apoio. Infraestrutura semelhante pode ser encontrada em outros laboratórios de pesquisa, a diferença está no foco de parceria com laboratórios de pesquisa, estrutura multiusuária, produção de insumos básicos e prestação de serviços. O laboratório tem também ambiente de discussão de projetos, denominado informalmente de “sala de inspiração”. O espaço foi pensado para atrair parcerias produtivas e científicas, que consiste no foco principal da iniciativa.

A sede oficial do laboratório ocupa uma área construída de 140 m2, em dois pavimentos. Além do ambiente de pesquisa, a edificação tem também um espaço para a interação da equipe, onde serão realizados cafés da manhã científicos, entre outros eventos. O laboratório integra a Unidade de Biologia Estrutural do Cenabio, fazendo parte também do Inbeb.

O projeto foi desenvolvido com aportes financeiros da Faperj e apoio do CNPq e da Associação de Usuários de RMN do Brasil (AUREMN), da qual Fabio Ceneviva Lacerda Almeida é presidente. O apoio do diretor do Cenabio, Adalberto Vieyra, também foi fundamental para a implantação do laboratório.

Fonte: Boletim Faperj com informações da Assessoria de Comunicação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (Inbeb).

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