| Em 08/12/2017

Cientistas brasileiros descobrem que árvores amazônicas são grandes emissoras de metano

Foto: Divulgação.

As árvores das florestas alagadas em torno do rio Amazonas emitem tanto metano (CH4) para a atmosfera quanto todos os oceanos do mundo juntos. Foi o que constatou pesquisa conduzida pelos professores Alex Enrich-Prast, do Departamento de Botânica do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Humberto Marotta, do Instituto de Geografia da Universidade Federal Fluminense; e Olaf Malm, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ. Enrich-Prast, Malm e Marotta são Cientistas do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado da Faperj, respectivamente. O estudo, que rendeu um artigo publicado na revista Nature, foi desenvolvido em conjunto com pesquisadores da Open University, no Reino Unido, e da Universidade de Linköping, na Suécia.

Segundo Enrich-Prast, durante a pesquisa, foram realizadas duas expedições à Amazônia, uma em 2013 e a outra em 2014. Na última, cerca de 20 pesquisadores percorreram de barco mais de mil quilômetros no trajeto que seguiu por Manaus e atravessou os rios Negro, Solimões e Tapajós durante 60 dias. Os biólogos analisaram as emissões de metano de 2.300 árvores. “Foi surpreendente encontrar uma fonte natural de emissão de metano tão relevante do ponto de vista global e que era totalmente desconhecida e desconsiderada. E ainda descobrir que os gases são eliminados pelos caules”, afirma Enrich-Prast.

Embora os gases emitidos pelas árvores realmente contribuam para o aquecimento global, de acordo com o pesquisador, a floresta nunca deve ser considerada um perigo para o meio ambiente por esse fator. “São fontes naturais, que certamente emitem metano há milhões e milhões de anos. Devemos nos preocupar com as fontes artificiais de emissão desse gás, provenientes, principalmente, da indústria de laticínios e carne, da queima de combustíveis fósseis e dos aterros sanitários. O que devemos questionar é como a intervenção humana vem alterando de forma significativa a natureza, e o quanto essas mudanças climáticas vêm afetando o comportamento das árvores, inclusive na quantidade de metano emitida por elas”, diz.

Para Marotta, o resultado desse trabalho mostra a importância de se pesquisar com mais profundidade áreas tropicais. “Essa descoberta sinaliza apenas o começo de muitas pesquisas que ainda vamos realizar. Já estão planejadas novas expedições à Amazônia para que possamos começar a desvendar os processos que regulam essas emissões de metano, se elas variam ao longo do ano, se existem famílias e gêneros de plantas que tenham maiores taxas de emissão, por exemplo”, finaliza.

Fonte: Comunicação Faperj (texto: Danielle Kiffer).

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