| Em 20/04/2017

Pesquisa analisa a prevalência de hanseníase entre contatos domiciliares no município de Maracaçumé

Foto: Divulgação.

A professora Luciana Albuquerque de Oliveira elaborou um estudo quantitativo-descritivo que tem como objetivo analisar a prevalência de hanseníase entre contatos domiciliares no município de Maracaçumé (MA), com aproximadamente 20 mil habitantes, localizado a 458 km da capital, São Luís.

No Estado do Maranhão, dos 217 municípios, 98 (45,2%) apresentam taxas hiperendêmicas, destacando-se o município de Maracaçumé com taxa de incidência de 167,17/100 mil habitantes em 2012. O Ministério da Saúde preconiza a vigilância de contatos como uma das principais medidas para se alcançar o diagnóstico precoce da hanseníase, contribuindo para controlar a expansão da endemia.

A partir de consulta ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde, foram identificados 34 casos índices de hanseníase, em um total de 24 famílias. Realizaram-se visitas domiciliares aos contatos para avaliação dermatoneurológica, sendo a prevalência de hanseníase de 6,3%. Nas 24 famílias pesquisadas, 20,83% apresentavam mais de um caso da doença. Para essas famílias foram identificados 106 contatos registrados no SINAN; destes apenas 71 (67,0%) constavam como avaliados no relatório.

Contudo, o estudo identificou que o número de comunicantes dos 24 casos índices (CI’s) era superior ao registrado no SINAN, sendo identificados 121 contatos. Durante a pesquisa foram examinados e entrevistados 112 (92,6%) contatos; os outros 7,4% não foram examinados por motivos de viagem, mudança de cidade ou se recusaram a participar da pesquisa.

Quanto aos resultados sociodemográficos, 52,7% dos contatos eram do sexo feminino, 38,4% estavam na faixa etária de 15 a 39 anos e 48,2% tinham até o fundamental incompleto. Entre os contatos doentes, observou-se predomínio do sexo masculino (85,7%), da cor parda (71,4%) e forma dimorfa (85,7%). 71,42% dos contatos doentes tinham primeiro grau de parentesco com o CI.

Quanto ao tempo de convívio dos contatos doentes com os CI’s, antes que esses últimos iniciassem o tratamento, 42,8% relataram período de 13 a 24 meses. Ao identificar um caso novo multibacilar, essa pesquisa contribuiu para evitar que outras pessoas possivelmente adoecessem, uma vez que um caso de hanseníase multibacilar não tratado é fonte de infecção para muitas pessoas.

A professora Luciana lamenta que a hanseníase no Brasil ainda se constitua como um problema de saúde pública. A pesquisa identificou um período prolongado de convívio dos CI’s antes de início do tratamento com seus respectivos contatos, com período superior a 12 meses em 85,7% dos casos.

A pesquisadora aponta a importância da realização deste estudo para evitar o contágio. “O conhecimento fornecido por esse estudo foi de suma relevância, por ser a vigilância de contatos um dos pilares para o controle da hanseníase. Ao identificar um caso novo multibacilar, essa pesquisa contribuiu para evitar que outras pessoas possivelmente adoecessem. Os resultados evidenciaram que contatos de hanseníase estavam expostos a precárias condições socioeconômicas podendo contribuir para a propagação da doença”, explicou Luciana.

Fonte: Fapema (texto: Maristela Sena).

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