| Em 07/03/2017

Pesquisa sobre causas da febre amarela silvestre começa neste mês

Uma pesquisa, com início neste mês de março, vai levantar os aspectos ecológicos do surto de febre amarela silvestre no Espírito Santo. O trabalho terá duração de um ano e vai ser realizado por meio de uma parceria entre a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação no Espírito Santo (Fapes) e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Há, ainda, a participação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). O investimento na pesquisa, que será repassado pela Seama/Iema, é de R$ 182.270,00.

O evento para assinatura do convênio foi realizado na manhã desta sexta-feira (03), na reitoria da Ufes, e contou com a presença do secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), Aladim Cerqueira, do secretário de Estado da Saúde (Sesa), Ricardo de Oliveira), do diretor-presidente da Fapes, José Antônio Bof Buffon, do reitor da Ufes, Reinaldo Centoducatte, e do professor de Ciências Biológicas da Ufes, Sérgio Lucena.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado, Aladim Cerqueira, este projeto pretende reunir um conjunto de informações que possa ser tratado e analisado de forma adequada, visando contribuir para o conhecimento dos processos biológicos e ambientais que favorecem ou até mesmo condicionam o surgimento do surto de febre amarela.

“Considerando que o evento está em curso na região de Mata Atlântica do Espírito Santo, a intenção é aproveitar a oportunidade para coletar o máximo de informações possíveis enquanto o surto não declina, já que esses eventos tendem a ser rápidos, durando semanas ou poucos meses. A pesquisa, portanto, envolve a coleta de informações sobre os primatas e mosquitos durante o período do surto, o processamento genético das amostras e a modelagem e análises dos resultados”, salientou o secretário.

O secretário de Saúde, Ricardo de Oliveira, ressaltou a importância da pesquisa. “Esta parceria é muito importante para toda a população do Estado. Este estudo vai ajudar, pois vamos poder acompanhar a epizootia com muito mais eficiência do que fazemos hoje.  Nós vamos participar fornecendo todas as informações que a Secretaria coletou e está coletando, não só de mortes de macacos. Também vamos disponibilizar a infraestrutura do Laboratório Central, que vai fazer a articulação com os laboratórios nacionais do Ministério da Saúde, porque alguns exames laboratoriais não são feitos aqui. A nossa participação será bem ativa, porque nos interessa muito em relação à proteção da saúde da população do Estado. Na segunda parte do projeto, vamos organizar o acompanhamento do monitoramento e também o estudo efetivo da contaminação do mosquito, visto que precisamos saber se este surto vai embora ou vai permanecer aqui no Estado”, disse Oliveira.

Para o diretor-presidente da Fapes, José Antonio Bof Buffon, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) tem capacidade de atender uma demanda de pesquisa com esta. “O principal papel da Fapes é de facilitador, de fazer o encontro e mobilizar o conhecimento onde ele está disponível”.

A coordenação da pesquisa está a cargo do professor titular do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes, Sérgio Lucena. Ele tem graduação em Ciências Biológicas pela Ufes, mestrado em Ecologia pela Universidade de Brasília e doutorado também em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas.

Sérgio Lucena explica que no passado ocorreram surtos de febre amarela urbana no país, transmitidos pelo Aedes aegypti, mas essa forma foi erradicada, na década de 1940, por meio de vacinação, de obras de saneamento urbano e do controle do vetor. “Todos os casos humanos registrados no Brasil têm a sua origem no ciclo silvestre, ou seja, na área de mata. O mosquito infectado pica o ser humano, desenvolvendo a virose. A morte de macacos em reservas naturais e fragmentos florestais, tanto em Minas Gerais quanto no Espírito Santo, vem ocorrendo em grande escala. Apesar das mortes atingirem principalmente os barbados, temos confirmação de morte de outras espécies, como os suas (Callicebus), saguis (Callithix), macacos-pregos (Sapajus) e evidências de que o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), espécie criticamente em perigo de extinção, também pode estar sendo afetada”.

O pesquisador deixa claro que o objetivo principal é investigar aspectos biológicos e ambientais relacionados à febre amarela silvestre, que está atingindo a Mata Atlântica de diversos municípios do Espírito Santo, com especial atenção à dispersão da doença na paisagem e sua relação com a morte de primatas e infecção de mosquitos.

Objetivos

Os objetivos específicos da pesquisa são:

– Identificar localidades em que primatas estão morrendo, supostamente, pelo vírus da febre amarela;

– Coletar amostras de vísceras e carcaças de animais mortos com vistas à obtenção de material biológico para teste de febre amarela, estudo de DNA, estudo taxonômico e biogeográfico;

– Monitorar as mortes de primatas nas unidades de conservação e nos seus entornos;

– Coletar mosquitos transmissores do vírus e enviar ao Instituto Evandro Chagas para identificação e testes virais;

– Implementar um sistema de informações geográficas e uma base de dados sobre o avanço da morte de primatas;

– Testar, por modelagem, as hipóteses sobre o surgimento e dispersão da virose no território capixaba;

– Investigar a presença do vírus e outros patógenos de interesse em sangue de primatas capturados vivos;

– Propor medidas preventivas e ações de conservação visando à recuperação das populações de primatas afetadas pelo surto;

– Contribuir para a difusão de informações que esclareçam à população sobre a natureza desses eventos e a importância da preservação dos primatas.

Fonte: FAPES

Leia também

Em 19/08/2026

34ª Edição do Programa Bolsas de Verão do CNPEM seleciona universitários da América Latina e do Caribe

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriu inscrições para a 34ª edição do Programa Bolsas de Verão (PBV), uma iniciativa que, desde 1992, tem capacitado jovens universitários da América Latina e do Caribe. O programa é destinado a estudantes de graduação das ciências exatas, biológicas, da terra, da saúde, além de engenharias […]

Em 19/08/2026

Pesquisadores criam ‘vacina inteligente’ e mais segura contra chikungunya

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradores alemães desenvolveram uma estratégia inovadora para a produção de vacinas. Em artigo publicado na revista npj Vaccines, o grupo apresenta a criação de um “imunizante inteligente” a partir de uma versão geneticamente modificada do vírus chikungunya. A grande vantagem dessa tecnologia é que o patógeno só consegue se replicar […]

Em 17/08/2026

Nanopartícula combina duas estratégias para acelerar a cicatrização de feridas crônicas

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma nanopartícula capaz de agir sobre diferentes fatores que impedem a cicatrização de feridas crônicas, como é o caso das úlceras associadas ao diabetes e das escaras comuns em pessoas acamadas. Essas lesões, que podem persistir por meses ou até anos, afetam de 1% a 2% da […]

Em 14/08/2026

Empreendedores do HUB RJ Startup levam seus projetos ao RIW 2026

Empreendedores de todo o estado do Rio de Janeiro, vinculados ao programa HUB RJ Startup, da FAPERJ e da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), participaram, pelo segundo ano consecutivo, do Rio Innovation Week (RIW). Startups selecionadas para a terceira e última fase do edital apresentaram aos visitantes do RIW 2026 o andamento de […]

Em 07/08/2026

MCTI e União Europeia promovem sessão informativa sobre a primeira chamada transnacional conjunta da parceria RAMP

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Delegação da União Europeia no Brasil realizam, no dia 14 de agosto de 2026 (sexta-feira), uma sessão informativa sobre as oportunidades de participação de instituições brasileiras na primeira chamada da Raw Materials Partnership for the Green and Digital Transition (RAMP). O encontro será realizado das […]

Em 17/07/2026

CONFAP e FAPs levam programação especial à 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) participarão da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que será realizada entre os dias 26 de julho e 1º de agosto de 2026, na Universidade Federal Fluminense (UFF), Campus Gragoatá, […]

Em 19/08/2026

Prêmio internacional Science, She Says! recebe indicações de pesquisadoras

O Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália (MAECI) promove, em 2026, a quarta edição do Prêmio “Science, She Says!”, que reconhece pesquisadoras com contribuições relevantes para o avanço da ciência e da tecnologia e para o fortalecimento da cooperação científica internacional. Serão selecionadas cinco pesquisadoras, uma de cada região contemplada pelo […]