| Em 17/01/2017

Pesquisadores da Unemat buscam dados sobre o clima no Arco do Desmatamento

O projeto “Rede Floresta (ReFlor): biodiversidade, mudanças climáticas e biotecnologia no Arco do Desmatamento” envolve uma gama de pesquisadores, laboratórios e instituições em busca de melhores previsões acerca de problemas climáticos e da integração com os conhecimentos já existentes para reduzir as incertezas dos atuais modelos de previsão.

A melhora da fertilidade do solo e por consequência os ganhos com a produtividade também motivam estes cientistas que nos próximos três anos irão testar “o sequestro” de gás carbônico (CO2) com o uso de biocarvão (biochar) em lavouras e pastagens.  O gás carbônico é um gás essencial para o reino vegetal por ser imprescindível para a fotossíntese.

O coordenador do ReFlor, professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Ben Hur Marimon Junior, pós doutor em Ecologia Florestal pela University of Leeds, na Inglaterra, explica que este projeto é uma integração de sete instituições brasileiras e quatro estrangeiras com o objetivo de formar uma rede internacional de pesquisa para investigar os efeitos do desmatamento e do uso da terra sobre o clima e a biodiversidade na transição Amazônia/Cerrado. “Esta região coincide com o Arco do Desmatamento em Mato Grosso, onde se concentra a maior parte de nossa produção agropecuária”, esclarece o pesquisador que estuda alterações climática há cinco anos.

[cml_media_alt id='12324']ben-hur-e-equipe-em-pesquisa-na-transicao-cerrado-floresta-amazonica[/cml_media_alt]

“Vamos verificar até que ponto a conversão da floresta nativa em pastagens e lavouras de grãos afeta o clima e o balanço do carbono no Arco do Desmatamento em Mato Grosso. Esta é uma perspectiva sob dois pontos de vista. O primeiro se refere ao desmatamento e as queimadas interferindo no clima e nas emissões de CO2 em nível local e o segundo se refere aos efeitos em nível global das mudanças climáticas sobre nossas florestas. Ambos estão interconectados e fazem parte dos impactos do uso da terra e das emissões globais de CO2, que resultam em extremos climáticos, como a intensificação dos eventos de seca e as temperaturas extremas”, disse Marimon.

Recentemente, Mato Grosso viveu a ocorrência de um extremo climático e consequentemente seus prejuízos. Nos anos de 2015 e 2016, os efeitos do aquecimento global e local com emissões de CO2, desmatamento e queimadas, ficaram mais evidentes. Localidades ao sul da Amazônia, justamente nos municípios mais desmatados, registraram seca recorde e máximas históricas de temperatura em torno de 44ºC. Esta combinação de seca e calor em 2015 provocou o maior prejuízo na safra de grãos já registrado em Mato Grosso.

Frente a estas ameaças climáticas os pesquisadores estão em busca de respostas para o que ainda desconhecem. “Tampouco sabemos como tudo isso irá terminar e qual a perspectiva de conservação da biodiversidade e da sustentabilidade econômica e ambiental dos negócios no setor agropecuário”, desabafou Marimon.

Os principais investigadores do projeto ReFlor, aprovado pelo edital Fapemat nº 037/2016, de apoio a Programa de Redes de Pesquisa, são os professores da Unemat, Ben Hur Marimon Junior e Beatriz Marimon, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT/Sinop), Rafael Soares de Arruda, da Universidade de Leeds, na Inglaterra, Oliver Phillips. O funcionamento da ReFlor se dará com a mobilização de oito laboratórios nas instituições parceiras e quatro nas instituições sede Unemat e UFMT.

Com propósitos que envolvem vasta área de estudos a ReFlor ainda integrará duas outras redes de pesquisa de estudos globais da vegetação e ecossistemas tropicais, a Rainfor, com sede na Universidade de Leeds e a Global Monitoring Ecosystems, com sede em Oxford. Ambas tem forte presença internacional e reconhecida relevância técnico-científica já consolidadas. A rede internacional irá preencher as lacunas de conhecimento sobre uso da terra, mudanças climáticas e biodiversidade na região, além de propor medidas mitigatórias de emissões de CO2 com uso de biotecnologia de baixo custo para aumentar os estoques de carbono no solo.

Segundo os pesquisadores, por meio da ReFlor será possível também consolidar as bases para uma futura proposta de criação de um Centro de Estudos em Mudanças Ambientais em Mato Grosso e proposições de políticas públicas relativas às mudanças climáticas e suas consequências. As primeiras reuniões nesse sentido já foram realizadas entre Unemat e Fapemat, envolvendo também as Universidades de Leeds e Oxford para um futuro protocolo de cooperação.

 

Fonte: MT Agora – Unemat

Leia também

Em 09/10/2026

Divulgado o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026 

O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) publicou, nesta sexta-feira (9), o 1º resultado da Chamada ERC–CONFAP–2026. Lançada em parceria com o Conselho Europeu de Pesquisa (ERC), a chamada tem como objetivo apoiar a mobilidade de pesquisadores doutores sediados no Brasil para integrarem equipes de pesquisa na Europa, em projetos financiados […]

Em 06/10/2026

Fapepi vai investir mais de R$ 3 milhões em startups piauienses através do Programa Centelha 3

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), empenhada em estimular o empreendedorismo e à inovação no território piauiense, teve orçamento de R$ 3.008.000,00 (três milhões e oito mil reais) aprovado para investir na terceira edição do Programa Centelha. A iniciativa, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela […]

Em 05/10/2026

O que os movimentos do corpo podem revelar sobre os níveis de ansiedade?

Vida corrida, pressão diária e incertezas fazem parte da rotina de muitas pessoas. Mas será que os movimentos do nosso corpo, registrados por um smartwatch, podem ajudar a identificar diferentes níveis de ansiedade? Foi justamente essa pergunta que levou pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) a investigar se técnicas de Inteligência […]

Em 02/10/2026

Nova ferramenta de IA prevê rota e intensidade de tempestades em curtíssimo prazo

Saber com exatidão a rota de uma tempestade e a intensidade da chuva para os próximos 30 minutos deixou de ser um desafio que exige supercomputadores. Uma nova ferramenta – desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e denominada TITAN-LSTM – une dados de radares meteorológicos e inteligência artificial para realizar previsões de curtíssimo prazo, […]