| Em 10/04/2025

Pesquisadores brasileiros e chineses reúnem-se para tratar de cooperações para desenvolvimento na Amazônia

Foto: Alex Ribeiro / Agência Pará

Cientistas brasileiros e chineses estão reunidos no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT-Guamá), em Belém, com a proposta de impulsionar a cooperação científica internacional voltada ao desenvolvimento sustentável na região amazônica. A programação é vinculada à Iniciativa Amazônia+10, em parceria com a Fundação Nacional de Ciências da China (NSFC) e a Fundação Amazônia de Amparo e Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa).

A cerimônia de abertura contou com a presença de Lan Yujie, vice-presidente da NSFC, de representantes das principais instituições de fomento à pesquisa do Brasil, como Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Fapespa, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fapeap), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), entre outras.

Durante a abertura do encontro, o representante da NSFC falou sobre a atuação da instituição, informou que a NSFC é um importante canal de financiamento na China para pesquisas básicas, conservação de talentos e cooperação internacional, que já consolidou 106 acordos ou memorandos de entendimento com 54 países ou regiões. E falou da satisfação dos chineses em estarem na Amazônia.

“A NSFC lançou suas iniciativas de cooperação internacional para desenvolvimento sustentável, que receberam muitas respostas de muitas entidades em diferentes países. Este ano, também cooperamos com várias linhas que promovem trocas de cooperação científica entre a China e outros países. Hoje, é um grande prazer estar aqui com colegas das agências de financiamento estaduais do Brasil e pesquisadores de ambos os lados para o primeiro workshop da NSFC sobre a Amazônia e lançar oficialmente nossa colaboração com os nossos equivalentes sob a iniciativa Amazônia+10.”

Também presente ao evento, o presidente do Confap, Márcio de Araújo Pereira, desejou boas-vindas aos pesquisadores: “Nesse momento estamos unindo as nossas mentes, os nossos conhecimentos e nós vamos tratar disso para levar adiante a nossa ciência, levar o bem-estar para os nossos países e também cuidado às nossas comunidades. Boas-vindas para falar de ciência, de biodiversidade, de bioeconomia, de biotecnologia, enfim falar sobre o Brasil nesse domínio e complementar com o domínio que China possui”.

Márcio de Araújo Pereira, presidente do Confap (Foto: Alex Ribeiro / Agência Pará)

Intercâmbio

Biodiversidade, mudanças climáticas, hidrologia, sensoriamento remoto, saúde pública e segurança alimentar estão na pauta do Workshop Conexões Científicas Brasil-China, idealizado para tratar de temas estratégicos relacionados à Amazônia. O encontro é baseado na premissa que a pesquisa científica tem um papel importante num programa sustentável de desenvolvimento, ao apoiar decisões de política pública e investimentos privados baseados em evidências.

“Estamos certos de que, ao longo destes dias, o grupo de pesquisadores aqui reunido terá a oportunidade de estreitar relações e viabilizar projetos conjuntos que não apenas aprofundem o entendimento sobre o funcionamento da floresta, mas também contribuam para gerar riqueza, prosperidade e segurança para as populações que nela vivem, essa região tão importante para a estabilidade do planeta. Muito obrigado, sejam bem-vindos e um bom evento para todos”, destacou o vice-presidente do Confap e presidente da Fapespa, Marcel Botelho, durante a abertura da programação.

Marcel do Nascimento Botelho, vice-presidente do Confap (Foto: Alex Ribeiro / Agência Pará)

No total, estão participando da programação 31 cientistas chineses, sendo seis membros do staff da NSFC e 25 pesquisadores vinculados a diferentes instituições, e 25 brasileiros. A programação segue até esta sexta-feira, apresentando pesquisas e discutindo possibilidades de colaboração com cientistas brasileiros de diversas instituições como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade Federal do Pará (UFPA), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Instituto Evandro Chagas (IEC), Instituto Tecnológico Vale (ITV), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Ao longo da programação serão realizadas visitas técnicas aos laboratórios do PCT Guamá, para apresentar a infraestrutura científica instalada no parque, quando poderão conhecer laboratórios como o de Tecnologia Supercrítica (Labtecs/UFPA), o de Qualidade da Água da Amazônia (Labágua/Uepa), o de Óleos da Amazônia (LOA/UFPA), além do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (Cvacba/UFPA).

“Receber este evento no PCT Guamá é fundamental para promovermos, em conjunto com o Confap, a Fapespa e a NSFC, discussões sobre ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento sustentável. Sejam todos muito bem-vindos. Temos a certeza de que daqui surgirão as melhores perspectivas de colaboração entre os nossos países”, afirmou durante a abertura da programação, João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá, Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT) gestora do complexo.

Ao final, a proposta é definir perguntas e desafios científicos convergentes, para que em parceria as instituições possam avançar na construção de um edital de pesquisa colaborativa, com apoio financeiro das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) que compõe a Iniciativa Amazônia+10 e da NSFC, bem como potencializar a cooperação científica entre os dois países.

(Foto: Alex Ribeiro / Agência Pará)

Iniciativa Amazônia+10 articula intercâmbio científico mundial

Ainda na ocasião, a professora Maria Zaira Turchi, diretora de Cooperação Internacional do Confap, destacou a relevância do encontro. “Com o Amazônia+10 essa rede de cooperação é fortalecida para resolver desafios que estão na Amazônia, mas que também são desafios brasileiros e globais. Assim, conseguimos potencializar a atuação brasileira em ciência tecnologia e inovação para o benefício da região amazônica, para o benefício das pessoas que estão aqui, do território, das universidades com os nossos parceiros nacionais e internacionais, pois temos parceiros de outros projetos como a França, Reino Unido, Itália, Alemanha, que estão se juntando para poder, de fato, contribuir para que a nossa biodiversidade seja preservada”, avaliou.

Maria Zaira Turchi, diretora de Cooperação Internacional do Confap (Foto: Alex Ribeiro / Agência Pará)

O Workshop Conexões Científicas Brasil-China é uma das ações da Iniciativa Amazônia+10, liderada pelo Confap, e pelo Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência Tecnologia e Inovação (Consecti). Conta, também, com a parceria do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O programa já mobilizou mais de R$ 150 milhões para projetos científicos na região, articulando grupos de pesquisa que reúnem pesquisadores da Amazônia Legal, de outros estados e de outros países, como Reino Unido, Suíça, Alemanha e França. Assim, a Iniciativa Amazônia+10 apoia projetos de pesquisa em colaboração voltados à conservação da biodiversidade e adaptação às mudanças climáticas, à proteção de populações e comunidades tradicionais, aos desafios urbanos, ao desenvolvimento científico e tecnológico da região e à bioeconomia como política de desenvolvimento econômico na região.

Também presente ao evento, a presidente da Fapeam, Márcia Perales, destacou a relevância da Amazônia+10, no avanço das cooperações internacionais. “Temos a participação não só de Estados de outras regiões da Amazônia Legal, mas também de outros países, então é um suporte importante também do CNPq. Portanto, esse diálogo já com a China nasce por meio da Fundação Nacional de Ciências Naturais.

“Quando a gente fala de biodiversidade a gente tem sempre que alegar que mais de 30 milhões de pessoas vivem na Amazônia legal e muitas ainda, em condições difíceis. Por isso, a ciência precisa olhar também essa dimensão social para que nós avancemos juntamente com as dimensões das riquezas naturais que tem na nossa Amazônia”, destacou.

Fonte: Iniciativa Amazônia+10 (Por: Manuela Oliveira/ Ascom Fapespa, com adaptações)

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