| Em 30/05/2016

Nanotecnologia: o futuro da inovação científica no Brasil

A nanotecnologia – manipulação de matéria, átomos e moléculas, em uma escala que corresponde a um bilionésimo do metro –, é reconhecida como uma tecnologia revolucionária, que tem gerado avanços importantes para a Medicina, para o Meio Ambiente e até para a área de cosméticos. No Brasil, o desenvolvimento nessa área é uma promessa para o avanço da inovação tecnológica e o crescimento econômico e social do País. Por isso mesmo, o economista Flávio Peixoto, pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com mestrado e doutorado em Economia da Indústria e Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trouxe esta discussão para a última edição do Encontros FAPERJ, evento promovido no dia 18, na sede da FAPERJ, pelo Núcleo de Estudos em Políticas Públicas para Inovação (Neppi). Falando sobre A evolução da nanotecnologia no Brasil: desafios para difusão e inovação a partir de uma perspectiva sistêmica, Peixoto explicou que, na teoria econômica, a nanotecnologia é capaz de potencializar ondas de inovações ao longo do tempo e mudanças de paradigmas tecnológicos e econômicos no País.

Peixoto fez um balanço do desenvolvimento da nanotecnologia no Brasil, desde sua implantação no País, quando ganhou visibilidade no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a partir da Conferência Nacional de Tecnologia e Inovação de 2001, até a época da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, entre os anos de 2012 e 2015. Segundo o pesquisador, essa iniciativa buscou dar continuidade aos investimentos para melhora na infraestrutura de empresas e formação de recursos humanos, estabelecendo parcerias internacionais, como aconteceu à época entre Brasil e China. Também buscou criar políticas agressivas para a expansão da pesquisa e desenvolvimento tecnológico (P&D) em nanotecnologia no Brasil.

Em seguida, o economista apresentou uma análise dos desafios para que as políticas de inovação se desenvolvam no Brasil, identificando algumas limitações nesse processo. “As políticas voltadas para o crescimento de P&D em território nacional acabaram priorizando a nanociência, que se volta para as pesquisas e para o desenvolvimento experimental. Não se priorizou a nanotecnologia, o que tornaria possível a produção e a comercialização de novos produtos, momento em que é efetivada a inovação tecnológica. Peixoto também destacou a falta de integração entre a academia e as empresas. “As pesquisas sobre nanotecnologia nas universidades têm crescido consideravelmente. A transmissão desse conhecimento para a área empresarial representaria um grande avanço para o crescimento da inovação tecnológica brasileira”, explica.

Ao final da palestra, debate contou com a presença
de 
engenheiros, físicos e especialistas no assunto

De acordo com Peixoto, para identificar as possibilidades de desenvolvimento da nanotecnologia em território nacional, é necessário entender suas características e definir prioridades estratégicas (agenda com diretrizes e ações). Também é preciso reforçar a importância de indicadores capazes de apontar a dinâmica do que considera sistemas nanotecnológicos; focar em ações que levem à produção em escala de novos produtos  e, principalmente, na sua comercialização. “Esses são alguns dos pontos que efetivam uma inovação”, diz. Diante do atual cenário nacional e reconhecendo as potencialidades do setor, o economista mostra-se confiante no futuro estabelecimento e desenvolvimento da nanotecnologia e do consequente crescimento da inovação tecnológica brasileira: “Ainda há tempo!”, disse o pesquisador, finalizando sua apresentação.

Após a apresentação, um debate reuniu engenheiros, físicos e especialistas que haviam acompanhado sua exposição. Entre os presentes, estavam Clovis Nery, Iara Nagle e Ricardo Khichfy, do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro; Eduardo Ponzio, pesquisador do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF); Fabiana Teixeira Mendes, pesquisadora do Instituto Nacional de Tecnologia (INT); Fernando Antonio Freitas Lins, diretor do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem); Joel Weisz, sócio-diretor da Cognética; Keylane da Silva, especialista em inovação estratégica da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan); Lincoln Silva Gomes, gerente do Instituto Senai de Tecnologia de Soldagem; Rubem Luis Sommer, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF); Rogério Navarro, professor do Departamento de Engenharia de Materiais da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio); Leandro Sphaier, professor de engenharia mecânica da UFF; Eduardo Hingst, engenheiro; além de assessores da FAPERJ.

Fonte: Danielle Kiefer – FAPERJ

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