| Em 28/01/2026

Tecnologia transforma resíduos agroindustriais em energia limpa e insumos para a agricultura

Projeto conta com investimento de R$ 400 mil da Fapeg e aposta em inovação sustentável para gerar biocombustíveis e bioinsumos via carbonização hidrotérmica, com foco no aumento da produtividade agrícola. (Imagem: Divulgação)

Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) iniciaram o desenvolvimento de uma planta conceito para produção contínua de bioinsumos a partir de resíduos agroindustriais via carbonização hidrotérmica. A iniciativa prevê a construção, em pequena escala, de um equipamento industrial capaz de converter resíduos agroindustriais — hoje considerados passivos ambientais — em produtos de maior valor agregado, como hidrocarvão (sólido) e bio-óleo (líquido). Esses materiais poderão ser utilizados tanto para fins energéticos quanto na agricultura, como bioestimulantes aplicados ao solo, contribuindo para as metas de descarbonização e transição energética.

A carbonização hidrotérmica é uma tecnologia que converte biomassa úmida em dois produtos principais, sob condições de alta temperatura e pressão. Um produto é o hidrocarvão que apresenta elevado potencial para uso como fertilizante agrícola ou combustível renovável, enquanto o bio-óleo pode ser aproveitado como fonte de energia ou matéria-prima para outros insumos. Ambos passarão por análises detalhadas de suas características físicas e químicas, com o objetivo de avaliar aplicações em áreas como geração de energia, fixação de carbono — fundamental para a redução de impactos ambientais — e produção de biofertilizantes e condicionadores de solo de alto valor agregado.

Um dos principais diferenciais do projeto é a integração de uma unidade experimental contínua alimentada por energia solar off-grid, ou seja, um sistema autossuficiente que gera e armazena sua própria eletricidade. A planta será instalada em um módulo móvel, o que permitirá seu funcionamento diretamente nos locais onde os resíduos são gerados como matéria-prima, ampliando a versatilidade e a eficiência do processo sustentável.

A pesquisa é coordenada pelo professor Christian Gonçalves Alonso, da UFG. Segundo ele, os resultados terão potencial para estimular novos negócios no setor agropecuário, diversificar a matriz energética do estado e impulsionar a produção de bioinsumos inovadores. “O projeto aposta no uso de fontes de energia renováveis e reforça o compromisso com a sustentabilidade e a economia circular, ao dar um novo destino a resíduos que normalmente seriam descartados”, afirma. A proposta está alinhada às diretrizes do Programa Goiás Mais Energia Rural e busca fortalecer o setor agroenergético, gerar valor para o meio rural e promover benefícios ambientais e econômicos para a sociedade. A pesquisa deve ser concluída no final de 2027.

Na sequência: bagaço, biochar e bio-óleo. Laboratório GOH2 – Instituto de Química UFG (Foto: Divulgação)

Benefícios

De acordo com o pesquisador, o projeto estimula o desenvolvimento científico e a inovação tecnológica na produção de biocarvão a partir de resíduos agroindustriais, promovendo sua valorização como produto com alto potencial energético e agrícola. Um dos benefícios diretos para o setor agroindustrial é o uso do biocarvão como fertilizante. Indiretamente, a iniciativa traz ganhos sociais ao fortalecer cadeias produtivas de bioinsumos e impulsionar a economia regional. Do ponto de vista ambiental, a tecnologia contribui para a redução de passivos ambientais e para a descarbonização do setor.

Fomento

O projeto foi selecionado pelo edital nº 25/2025, lançado pela Fapeg em parceria com a Secretaria-Geral de Governo, no âmbito do Programa Goiás Mais Energia Rural. Para o presidente da Fapeg, Marcos Arriel, a iniciativa evidencia o papel estratégico da ciência e da tecnologia na construção de um futuro mais limpo, eficiente e sustentável. “Goiás, com sua intensa atividade agroindustrial, dá o exemplo ao buscar alternativas aos combustíveis fósseis e ao apresentar soluções adequadas para o destino dos grandes volumes de resíduos gerados diariamente”, destaca. Arriel destaca o papel da Fapeg de fomento à adoção de tecnologias sustentáveis, o desenvolvimento de biocombustíveis, a expansão de pesquisas voltadas à conservação e ao uso racional do Cerrado e a integração entre ciência e produção agropecuária, além do papel da IA no agronegócio e as novas fronteiras para inovação verde no país.

Edital

A chamada pública tem como objetivo apoiar iniciativas inovadoras voltadas à transformação energética no campo, promovendo uma matriz mais limpa, diversificada e economicamente sustentável. Ao todo, foram selecionados projetos de cinco pesquisadores, que terão até 24 meses para desenvolver suas propostas e gerar impactos concretos nas comunidades rurais, contribuindo para o enfrentamento da pobreza energética, a geração de empregos e a diversificação da matriz energética goiana.

Para o professor Christian Alonso, os recursos do edital serão fundamentais para a elaboração do projeto, a construção da planta conceito e a caracterização dos produtos gerados. “Esse apoio é essencial para viabilizar soluções inovadoras voltadas à bioeconomia e ao uso sustentável de resíduos agroindustriais”, conclui.

Christian Alonso é professor no Curso de Engenharia Química da UFG e ministra as disciplinas Projeto de reatores químicos; Projeto de processos químicos; e Processos químicos industriais. É coordenador do laboratório GOH2 da UFG – Laboratório de Pesquisa em Processos Renováveis e Catálise, unidade parceira do Centro de Excelência em Hidrogênio e Tecnologias Energéticas Sustentáveis (Cehtes). O Centro de Excelência é uma instituição que também recebe fomento da Fapeg. O Cehtes atua em oito linhas de pesquisa que compreendem: Hidrogênio; Combustíveis avançados e captura de carbono; Energias renováveis; Redes inteligentes e flexíveis de energia; Sistemas de armazenamento de energia e materiais avançados; Eficiência energética; Mobilidade veicular; e Estudos estratégicos, regulatórios e inteligência de mercado.

Fonte: FAPEG (Por: Ascom Fapeg)

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