| Em 31/07/2024

Pesquisadoras desenvolvem material biodegradável de amido e colágeno de peixe que pode substituir plástico sintético

Material contribui significativamente para a sustentabilidade na produção de alimentos ao oferecer alternativas viáveis e ecológicas –
(Arquivo/ Pesquisadora Raquel Aparecida Loss)

Uma equipe de pesquisadoras desenvolveu em laboratório um material biodegradável (biofilmes naturais) obtido a partir de diferentes amidos (mandioca, batata-doce, batata inglesa e batata Asterix) e colágeno de peixe.  O material tem propriedades físico-químicas, mecânicas, estruturais e de biodegradação similares a filmes plásticos, contribuindo significativamente para a sustentabilidade na produção de alimentos ao oferecer alternativas viáveis e ecológicas aos plásticos sintéticos que são derivados de petróleo. 

De acordo com apontamentos no projeto da professora doutora Raquel Aparecida Loss, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), apenas 10% dos plásticos derivados do petróleo são reciclados, 14% são incinerados, e os 76% restantes acabam em aterros ou no ambiente natural. Se essa tendência continuar, pontua ela, em 2050 haverá cerca de 1.1 bilhão de toneladas de resíduos plásticos.

“Com potencial na substituição do plástico sintético, os biofilmes apresentam uma contribuição significativa para a sustentabilidade. Compostos por materiais biológicos, podem ser usados em embalagens de alimentos diversos,  filmes e revestimentos com propriedades biodegradáveis, além de minimizar a poluição e o desperdício, mantendo a qualidade e a segurança dos alimentos, prolongando sua vida útil sem a necessidade de substâncias químicas prejudiciais. Essa transição para materiais mais ecológicos é essencial para promover uma produção alimentar mais sustentável e reduzir os riscos ambientais associados aos plásticos tradicionais”, destaca.

A pesquisa “Produção e caracterização de biopolímeros obtidos a partir de amidos de diferentes tubérculos e colágeno de peixe” foi desenvolvida dentro do Edital nº 005/2021 – Mulheres e Meninas na Computação, Engenharias e Ciências Exatas e da Terra, financiada pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).

Conforme a pesquisadora do projeto, a alternativa que existe para substituir os plásticos sintéticos é a elaboração dos filmes biodegradáveis obtidos a partir de matéria-prima renovável, que podem substituir total ou parcialmente este tipo de material.

“Para que essa substituição seja viável, utilizamos materiais renováveis, abundante e de baixo custo. O amido é um exemplo ideal, pois é renovável, abundante e apresenta preço competitivo, comportamento termoplástico e biodegradabilidade, são eles, o milho, trigo, arroz, mandioca e batata, cada um com diferentes composições, que podem influenciar na formação do filme”,  afirma a pesquisadora doutora Raquel Loss.

Manipulação do peixe em laboratório – (Arquivo/ Pesquisadora Raquel Aparecida Loss)

Outro biopolímero importante e de baixo custo e com propriedades funcionais adequadas para a fabricação de biofilmes é a gelatina. Obtida a partir de resíduos de pescado, que seriam perdidos durante o beneficiamento,  o material agrega valor e contribui para redução dos impactos ambientais.

A pesquisadora pontua que, no entanto, biofilmes obtidos exclusivamente com amido possuem baixa resistência mecânica e falta hidrofilicidade. “Com isso surge o biofilme obtido pela mistura de gelatina de pescado e amido, fornecendo proteção aos grânulos contra cisalhamento, ajudando a manter a umidade, reduzindo a sinérese, a solubilidade em água e a absorção de água. Já a adição de amido em filmes de gelatina resulta em aumento da espessura, transparência e resistência mecânica, ampliando a aplicabilidade dos biofilmes.

A combinação de proteínas (colágeno) e polissacarídeos (amido) é um processo utilizado para desenvolver novos materiais e aperfeiçoar as propriedades dos polímeros, resultando em materiais com melhores propriedades em comparação com aqueles feitos de componentes puros, dessa forma a produção de filmes biodegradáveis a partir de amido de batata-doce e colágeno de peixe pode gerar grandes oportunidades para a sociedade em geral, por razões ambientais e econômicas.

Fonte: FAPEMAT (Por: Widson Ovando/ Ascom Fapemat)

Agência de Notícias do CONFAP

Leia também

Em 20/05/2026

Governo de Minas disponibiliza R$ 10 milhões para equipes universitárias desenvolverem soluções para desafios tecnológicos

O Governo de Minas, por meio de parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), retomou, na quinta-feira (14/5), o Programa Santos Dumont. O lançamento da Chamada 006/2026, que disponibiliza R$ 10 milhões para incentivar o desenvolvimento de projetos de ciência e tecnologia por equipes universitárias, […]

Em 20/05/2026

Seminário Marco Zero do PPSUS inicia execução de pesquisas científicas para fortalecer o SUS em Rondônia

Rondônia, por meio da Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero) realizou, nos dias 13 e 14 de maio, em Porto Velho, o Seminário Marco Zero do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), marcando oficialmente o início da execução dos projetos aprovados no edital e fortalecendo pesquisas […]

Em 20/05/2026

Funcap lança a Chamada 01/2026 – Bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica (BICT)

A Fundação Cearense de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), informa o lançamento da Chamada 01/2026 – Bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica (BICT). A ação tem por objetivo principal incentivar talentos potenciais entre estudantes de graduação universitária mediante participação em projeto de pesquisa. As bolsas […]

Em 20/05/2026

Governo de Mato Grosso lança 5ª edição do Programa Pesquisa e Inovação na Escola

O Governo de Mato Grosso, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), lançou a 5ª edição do Programa Pesquisa e Inovação na Escola (PIE), no Edital Fapemat nº 01/2026. Desenvolvido pela Fapemat, o Programa busca despertar em professores e estudantes da rede estadual de ensino a vocação para […]

Em 21/04/2026

Agricultura ganha aliada da ciência: pesquisa desenvolve plantas mais produtivas e resistentes

Uma pesquisa brasileira está abrindo caminho para uma nova geração de plantas mais produtivas, resistentes e sustentáveis. O estudo, desenvolvido por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), investiga como o crescimento das plantas pode ser regulado a partir da identificação de genes-chave, responsáveis por controlar todo o desenvolvimento vegetal. A proposta é […]

Em 20/05/2026

Encontro internacional em Curitiba debate integração científica do Sul da América do Sul no contexto do acordo Mercosul-União Europeia

Curitiba sedia nesta terça e quarta-feira (19 e 20) o Encontro de Agências de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) do Sul da América do Sul, iniciativa coordenada pela Fundação Araucária que reúne representantes de instituições de fomento e pesquisa do Brasil, Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai para discutir estratégias conjuntas de cooperação científica, inovação e […]